Onde a democracia é frágil
Tem plena procedência a preocupação do Grupo do Rio, reunido em Cuzco, no Peru, sobre a fragilidade da democracia na América Latina. Na verdade, uma fraqueza que se observa não só nestas terras, latino-americanos, mas em praticamente todo o mundo. Sobretudo quando as superpotências invadem o limite tolerável da linha que protege a democracia dos Países mais pobres e deixam no ar uma pergunta ao mesmo tempo irônica, fatal e preocupante: quem será o próximo alvo dos interesses políticos e econômicos que mobilizam mísseis apontados para as cabeças das populações de onde que que seja?
Já nos primeiros sinais deste terceiro milênio o mundo discutiu a questão da água, que deverá ser foco de cobiças. Poderá ser este líquido a causa de conflitos internacionais, uma vez que o que a Natureza ofertou à humanidade, para ser usada com sabedoria e por longevidade incalculável, o homem fez mau uso e tornou escasso. O Brasil é um País privilegiado, não pelo fato de seus políticos terem, no passado, sabido aproveitar inteligentemente os recursos naturais, mas porque a própria Natureza premiou esta terra e sua gente.
Porém, ainda são questões de décadas que causam mortes em combate. A ofensiva recente dos Estados Unidos contra o Iraque, se não foi causada por interesse econômico representado pelo petróleo, jamais poderá ser justificada como uma guerra para dar ao povo iraquiano democracia. Se Saddam Hussein enriqueceu à custa da miséria de seu povo, não será diferente com outro que represente uma nova forma de intervenção, esta tão ou mais perigosa que a outra, pois afeta tradições, hábitos e, enfim, cultura. E, no reinado norte-americano, a meta são os alvos, inclusive humanos, restando indiferença se os mísseis estão apontados para o norte ou sul, leste ou oeste. É uma briga de predomínio, com o uso indevido da democracia para justificar aberrações. E o pior que parte da humanidade ainda acredita em discursos.
Então a fragilidade não está somente na América Latina. A democracia torna-se débil também nos Países onde os interesses das superpotências estão voltados. Evidente, se a fragilidade é testada com artimanhas políticas e jogo de pressão, o povo, representado por seu líder um presidente capaz de gerenciar com inteligência as relações internacionais poderá dar combate à insensatez, reduzindo ou até eliminando possibilidade de um País como o Brasil ser alvo por causa de seus recursos naturais. E assim se espera.

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