OPINIÃO DA FOLHA
Transparência na informação oficial
O governo Jaime Lerner gastou no último ano de mandato exatos R$ 54.660.594,46 com os veículos de comunicação, de acordo com um documento cujas cópias foram encaminhadas a alguns jornais paranaenses durante a semana. Embora enviada anonimamente, a lista discriminando a quantia que cada jornal, revista, rádio, tevê, cinemas e produtoras receberam em 2002, contempla alguns deles com valores tão expressivos que se faz necessário, por parte do Ministério Público, investigar sobre os investimentos do governo anterior em propaganda nessas empresas, para verificar a natureza de tais gastos ou se foi malversação do dinheiro público. Da mesma forma, cabe o rigor do Tribunal de Contas do Estado na verificação das contas do governo com propaganda.
Neste espaço o que se debate é a gritante necessidade de transparência na aplicação do dinheiro público, qualquer que seja o governo. Entende-se que o valor pode ser pouco, se além dos editais que devem ser publicados, para cumprir o que determina a legislação, grandes campanhas de interesse da comunidade tenham acontecido no período. Do mesmo modo, os R$ 55 milhões serão muitos se inexistiram ações dessa natureza. Ou como parece ser, em alguns casos, foram gastas grandes verbas em jornais de pequena ou nenhuma circulação, e outras de circulação duvidosa, pois não são auditados pelo Instituto Verificador de Circulação (IVC), do qual toda a mídia minimamente séria se sujeita a ser auditada. Assim como os gastos em algumas emissoras de rádio de propriedade de políticos, que foram beneficiadas com somas elevadas.
Consequentemente, será a auditoria a ferramente adequada para avaliar os gastos e concluir se os investimentos em comunicação justificaram tal soma. O ideal seria acreditar que todo o dinheiro que o governo arrecada e investe em diferentes setores esteja tendo aplicação inquestionável. No caso da comunicação, a propaganda oficial é necessária, pois cabe ao administrador informar a população sobre o que faz, decide, decreta e, enfim, de que forma governa.
As campanhas, do mesmo modo, quando não interessam a todos os paranaenses são importantes para segmentos representativos. Se há necessidade de vacinar idosos, e este tipo de ação preventiva exige divulgação, visando conscientizar as pessoas situadas na faixa etária do público-alvo, peças publicitárias de rádio, tevê e jornais são indispensáveis. E se o interesse é regional, o investimento em comunicação deve ser feito nos veículos localizados na região de interesse.
Temeroso, no entanto, avaliar se é assim que é planejado o marketing do governo. A falta de transparência impede a análise sem desconfiança. Ao mesmo tempo, o documento de 2002, se demonstra por um lado contemplar justamente alguns veículos que publicaram propaganda oficial e campanhas de Lerner, apresenta outros números que supõem equívocos.
A proposta do atual governo é de moralização e transparência em todas as áreas. O investimento em comunicação não deve ser excluído. Informar o paranaense sobre o que o governo faz é papel do Estado. E o que se espera é que esse investimento seja claro e evidente, para que não sobrem dúvidas sobre o que é gasto.





