Mais do que matar a fome
O que leva uma pessoa a provocar a morte de outra, quando até então alguma espécie de distúrbio era desconhecida? Diariamente, os jornais publicam notícias de assassinatos envolvendo famílias. Infelizmente, quando a gravidade do fato exige, os veículos de comunicação são obrigados a noticiar acontecimentos ruins. É verdade, alguns o fazem de maneira exagerada, com forte apelo para melhorar a audiência ou número de publicações vendidas. Outros, conscientes que têm um dever social, apenas informam seus leitores ou ouvintes.
Mas esta não é a questão principal. A pergunta é sobre a violência do ser humano, que em determinado momento extrapola a racionalidade. Maltratar parece ser o objetivo, mesmo que esse maltratar, como se já não bastasse a maldade que representa, leve à morte. E a edição de hoje, por mais que se queira evitar, não é exceção. Também trás um caso violento de morte.
Normal era dizer no passado que a religiosidade era a divina escora das fragilidades da mente humana. A fé recupera força e razão. Momentos depois, culpou-se a modernidade de afastar os fiéis de seus templos e de suas igrejas, desmanchar famílias, distanciar pais de filhos. A tecnologia que impulsiona o mundo através de toques digitais tornou-se vilã.
Percebe-se agora que a religiosidade recuperou terreno perdido por um curto período de tempo, mas a violência tornou-se mais constante. A tecnologia, por outro lado, deu mais saltos, extrapolou inclusive a imaginação em alguns casos, embora em outros também tenha levado à morte, como os dois mais recentes casos de tripulantes espaciais que perderam suas vidas durante missões. Nem por um e nem por outro motivo a modernidade é a culpada da violência.
Mas há parcela de culpa evidente na crise social, gerada pela precária situação econômica de muitas das famílias que são obrigadas a conviver com o drama da violência. Jamais se entenda que a pobreza leve ao álcool e ao descontrole grotesco. Não é isso o que se diz neste espaço.
Pelo contrário, defende-se a existência de uma relação entre uma situação e um fato, ou seja, a miséria e o desespero, que pode resultar em violência. Forma-se a bola de neve a partir da falta de perspectiva de melhora. A desesperança, em alguns casos, invoca o alcoolismo. As consequências são a desestrutura familiar, as agressões e até a morte. Nem todas as notícias ruins tiveram causas dessa natureza. Mas muitas começaram assim. Mais do que apenas matar a fome, é preciso solução para a miséria.

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