OPINIÃO DA FOLHA
Quedas de março
O volume de vendas do comércio varejista caiu em março 11,31% no Brasil e 4,77% no Paraná, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E, de acordo com o Instituto, é o pior desempenho desde dezembro de 2001. Um dos culpados seria o calendário de 2003, com o Carnaval assumindo o ônus e posando de vilão, pois a folia caiu em março. Evidente que não há equívoco neste tipo de análise, tanto que o ano comercial brasileiro costuma ser dividido em dois: antes e depois do Carnaval.
Observa-se, conforme reportagem que este jornal publica hoje no caderno Folha Economia, que a retração das vendas ocorreu nos hipermercados, supermercados, alimentos e bebidas, em porcentual de 11,60%. Já os setores de móveis e eletrodomésticos apresentaram queda de 10,67% nas vendas, e o de artigos de uso pessoal vende 10,64% menos em março.
O IBGE também analisa que a Páscoa de 2002 caiu em março. O comércio de ovos de chocolate teria impulsionado as vendas. É possível, mas ainda pouco para justificar porcentual tão expressivo. Parece que a explicação mais aceitável seria aquela que esvazia o bolso do consumidor brasileiro desde que a economia nacional sofreu derrapões não só por culpa da valorização do dólar, entre o final do ano passado e semanas atrás.
O poder aquisitivo foi drasticamente reduzido perante os aumentos quase que diários dos produtos de primeira necessidade, o que inclui as compras em hipermercados, supermercados, alimentos, bebidas, móveis, eletrodomésticos e artigos de uso pessoal. Uns por culpa do dólar, outros por conta do sol ou da chuva, as mercadorias tiveram incorporadas aos seus preços doses de incapacidade de governos para manter a economia equilibrada, como é o caso dos oito longos anos de estagnação registradas na gestão anterior, cujos efeitos despencaram de uma vez entre o período de transição e a posse do atual governo.
Somado a isso, outro fator também relacionado ao desprezo governamental do passado, fez as vendas de março apresentarem queda vertiginosa. A inexistência de uma política para a agricultura que viabilize meios para o abastecimento interno faz o pé de alface custar mais quando a dieta recomenda o consumo dessa folha, e torna-o muito barato quando o clima não é propício ao seu consumo. Embora grotesco, o exemplo é útil, porque vale para a batata, o feijão, o arroz, a cebola de cabeça e tudo o mais que se põe à mesa, tanto quanto o que se veste e o que se utiliza para lavar, passar e enfim, viver numa sociedade de consumo.





