Trabalho de base para o esporte
Londrina já foi pródiga na natação e revelou atletas de peso no cenário internacional. Para que não se cometa injustiças com nadadores do passado, menciona-se os dois mais recentes, Rogério Romero e Diogo Yabe. Ambos são frutos da terra e conseguiram projeção nacional defendendo equipes da cidade, até bem pouco tempo mantidas pelos clubes sociais. Depois, já com títulos conquistados, bem fizeram em aceitar convites de agremiações esportivas maiores sediadas em grandes centros como Minas Gerais e São Paulo, onde dispõem de melhores condições para treinar, incluindo as financeiras.
Nem por isso a cidade de origem desmereceu, em algum momento, os méritos das revelações de potenciais atletas da natação. Pois além dos estímulos para a prática do esporte, destinados por treinadores abnegados, estes mesmos, enfrentando precárias condições e nem sempre pagos devidamente pelo trabalho que desenvolviam, empenhavam todos os esforços na formação plena dos seus nadadores.
Assim, ter um atleta de Londrina convidado para treinar fora da cidade, depois que estes se destacavam em competições nacionais, era para os técnicos da natação londrinense o bom resultado que colhiam do trabalho de base que desenvolveram. Até por ser de conhecimento que, continuando na cidade, os nadadores teriam que, em certo momento de suas vidas, abandonar o treinamento para trabalhar e custear os estudos. Nos grandes clubes, pelo contrário, a ajuda de custo permite dedicação ao esporte e aos estudos.
Mas a natação de Londrina já não tem a possibilidade de criar tantas estrelas. As grandes equipes foram desmanteladas, pois os clubes sociais que as mantinham deixaram de investir na modalidade. É uma grande perda para a cidade, que há anos relaxou também nos projetos de formação de atletas para outros esportes.
É hora, portanto, de repensar. Nos anos 70, competições entre escolas revelavam atletas para as seleções londrinenses. Os destaques iam posteriormente para as seleções estaduais, participando dos eventos com a esperança de vagas nas equipes nacionais. Vigorava a disputa sadia e em condições piores das de agora os professores de educação física das escolas tratavam de lapidar aspirantes. Se a estrutura do passado era precária, o modelo daqueles tempos servia e muito bem. A expectativa é de que os planos anunciados durante campanha política pelo atual governo estadual se concretizem. E contemplem uma forma simples e adequada de valorizar potenciais esportivos.

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