OPINIÃO DA FOLHA
Nova tentativa de paz
Apagada as chamas mais fortes do conflito EUA-Iraque e justo no momento em que os Estados Unidos armam uma simulação milionária para se precaver contra atentados, o plano internacional de paz para uma solução do conflito israelense-palestino volta a ser destaque no cenário político mundial.
É justo considerar sobre o arrefecimento da guerra contra o Iraque, pois quando assim se comenta faz-se referência ao encerramento dos bombardeios e à eliminação do número de mortos em combates. Já os mortos em consequência desse conflito e dos bombardeios ainda prosseguirão. Algumas vítimas cairão ao longo dos meses e até a anos, na medida em que doenças como o câncer, possivelmente provocadas por componentes dos mísseis, derrubarão crianças, jovens, mulheres, homens e idosos. É assim que ocorre por culpa de uma outra guerra, também no Golfo Pérsico. Seres humanos deformados pelo forte tratamento de quimioterapia, cobalterapia ou radioterapia esperam a morte. As causas de suas doenças são os efeitos de uma guerra. Então a guerra EUA-Iraque não acabou. Ela está presente na vida das pessoas que sofrem as suas consequências.
Quanto à operação preventiva preparada pelos Estados Unidos, cujo custo é de US$ 16 milhões e inclui explosões, ataque bacteriológico e muita encenação, de fazer inveja a muitas produções catastróficas de Hollywood, essa, mais do que precaução, é demonstração de poder. Se Iraque não proporcionou a mídia necessária, simulações precisam dar continuidade ao clima de conflito.
Agora, sobre esta mais recente tentativa de paz no Oriente Médio, o que se espera é que não seja outro palco a ser armado para encenar, perante a humanidade, a interpretação do bom senso. Infelizmente, a dependência é novamente marca registrada do chamado mapa da paz. E quem o anuncia, imaginem, é o secretário de Estado americano Colin Powell, que durante entrevistas junto com os primeiros-ministros palestino e israelense foi o centro das atenções dos jornalistas internacionais.
O começo, portanto, é decepcionante. Já se ouviu essa história muitas outras vezes e não há muito tempo. Rodadas e rodadas de negociações deverão ser travadas e os acordos poderão ser prorrogados, para outras conversas, outras negociações. O intermediador será destaque, com as partes diretamente interessadas postando-se na defensiva, por trás do representante norte-americano. Ainda assim, prevaleça a boa vontade e ocorra a paz tanto buscada.





