OPINIÃO DA FOLHA
A liberdade de imprensa em questão
A liberdade de imprensa mereceu amplo debate na quinta-feira, dia 8, durante evento realizado em Brasília pela Associação Nacional de Jornais (ANJ), numa parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no Brasil e apoio da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. A prévia consideração é de que o tema foi oportuno, pelo fato de levar à necessidade de criação, no País, de uma rede nacional reguladora do livre exercício profissional dos jornalistas e da atuação isenta dos veículos de comunicação.
Exemplos importantes desenvolvidos em alguns países foram apresentados no seminário pelo professor emérito de informação e comunicação no Instituto Francês de Imprensa Claude-Jean Bertrand, da Universidade de Paris. Falando sobre ''Liberdade de Imprensa: o Estado, o Mercado e a Ética'', em palestra que teve como moderador o conselheiro de comunicação e informação para a América Latina da Unesco no Equador, Andrew Radolf, Claude-Jean Bertrand enfatizou os chamados MAS, que são os meios para melhorar os serviços de mídia ao público e se caracterizam pela independência em relação aos governos. Para o leitor e o cidadão em geral, segundo o palestrante, autor de livros sobre o tema, o benefício direto do MAS é a devolução dos direitos humanos que ''a casta dos profissionais de mídia costuma confiscar''.
Existiriam no mundo cerca de 80 desses meios já instituídos. As formas são variadas, desde espaços reservados nos próprios jornais para o leitor debater a cobertura jornalítisca de determinado assunto pelo jornal de sua preferência, até comitês comunitários e internos para discutir normas de procedimentos dos jornais e de seus profissionais diante de trabalhos polêmicos. Um dos exemplos citados por Bertrand ocorre no Japão, com o ''shinsa-shitsu'', uma espécie de comissão de avaliação de conteúdos adotados nos anos 20.
Em outro tema debatido no evento, a responsabilidade profissional da imprensa mereceu considerações, a partir de palestra apresentada pelo articulista de O Globo, Luiz Garcia, e moderada pelo professor e representante da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) em Brasília, o também articulista Carlos Chagas. O ponto fundamental foi a extinção do diploma de jornalista e contraposição com a ética profissional.
A questão é relevante. Algumas escolas de comunicação presentes no seminário de Brasília se posicionaram. Poucas, porém, sobretudo para questionar se é possível uma boa formação ética sem a escola. Tema para ser amplamente debatido, pois se a escola é necessária, diverge-se quando se imputa a ela a obrigação de dar formação ética a profissional de qualquer área que seja. A escola tem o papel de ensinar ao futuro profissional os caminhos da reflexão, das comparações teóricas e, sobretudo, da capacidade de ter certeza de estar desempenhando dignamente o seu papel.





