OPINIÃO DA FOLHA
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Queda na poupança
Pelo terceiro mês consecutivo, o saldo das aplicações em poupança no país registrou queda, conforme números divulgados pelo Banco Central. O fato não provoca surpresa. O Brasil não estimula a poupança. O rendimento das cadernetas de poupança é irrisório, especialmente se comparado com os juros praticados pelo mercado financeiro.
O mais sério é que esta falta de estímulo representa um fator negativo para a própria economia. Há quem pondere que poupar não é bom, que o ideal para o desenvolvimento é o consumo. Ocorre aí uma falta de visão. A poupança também produz atividade e de modo muito maior do que se possa imaginar. A soma de todos os pequenos depósitos cria um fundo capaz de garantir a realização de obras de porte. Vale recordar a explosão que se observou no país quando se iniciou o programa habitacional, lastreado pela poupança e pelos recursos do FGTS. Os desvios ocorridos no sistema, os problemas que surgiram devido à inflação exacerbada não afastam a realidade de que a poupança representa um fator positivo para o crescimento nacional, ao tempo em que pode constituir uma garantia para o poupador, no futuro. Isto, naturalmente, se houver programas bem administrados e, principalmente, com estímulo real à poupança.
Nunca é demais lembrar o ensinamento do presidente norte-americano Abraham Lincoln que, há mais de um século, dizia que ninguém conseguirá prosperidade através de empréstimos e que o caminho real para se atingir o progresso é pela poupança (das pessoas e dos países). O Brasil, por muito tempo, buscou o fácil caminho do endividamento, o que criou esta herança aparentemente insuperável de uma dívida imensa. Quando investiu seriamente na criação de uma mentalidade poupancista, teve sucesso. Infelizmente, porém, além de uma série de desvios, faltou também a adoção de medidas concretas para estimular a ação dos poupadores.
Não será fácil reverter o atual quadro da poupança por várias razões. Há que considerar a realidade da falta de empregos, da remuneração baixa que leva o cidadão a gastar o que ganha (e até mais) não tendo portanto sobra para poupar. Paralelamente, a falta de estímulos oficiais leva quem ainda tem condições de guardar algum dinheiro a outros caminhos, mais rentáveis. Não se pode criticar aquele que deixa a poupança e migra para fundos, ou quem resolve gastar diante da ameaça de um aumento na inflação. O que é preciso é que as autoridades do setor percebam que o país precisa da poupança e passem a propiciar mecanismos capazes de estimular o povo a voltar para este tipo de aplicação.





