OPINIÃO DA FOLHA
A igreja e os novos tempos
A Igreja Católica está em tempo de reposicionamento no Brasil, pois acomodam-se nos últimos meses alguns movimentos religiosos inovadores deflagrados na década anterior, com força de penetração nas mais distantes localidades do País. Os próprios católicos participaram deste período histórico, quando surgiram padres com propostas até inusitadas. Alguns chegaram a ganhar mais projeção como artistas do que sacerdotes. Outros, mais preocupados com as questões sociais e as condições de vida dos fiéis, cativaram leigos batendo de porta em porta e se apresentando às comunidades não somente como representantes de um credo, mas como aliados das famílias na luta por dignidade, o que inclui a possibilidade, primeiramente, de um emprego e salário justo. Em ambos os casos, é conveniente que se diga, o objetivo foi de concentrar os fiéis dispersos em torno da fé. Ou seja, de uma ou outra forma, o que levou os sacerdotes a uma prática diferenciada, às vezes até estranha, foi a necessidade de evangelizar.
Assim também ocorreram com os evangélicos e os pentecostais, que junto ao crescimento de suas igrejas enfrentaram a árdua tarefa de mostrar à sociedade a diferença entre as religiões surgidas a partir da vontade dos homens de levar a palavra de Jesus aos demais homens, e daqueles que se aproveitaram do momento oportuno para construir templos em cada esquina. Infelizmente, muitos usaram da fé para alimentar interesses questionáveis e injustamente fizeram cair respingos sobre os de boa-vontade. Mas este quadro também apresenta-se em fase de reversão, principalmente no Brasil, onde ventos novos anunciam possibilidades de mudanças nas mais diferentes áreas. Consequentemente, aquilo que surgiu da fé e resistiu a um período difícil continuará a cumprir o seu papel. Os que vieram apenas para chegar, se instalar e ficar até quando conveniente, estes, sem base, sem princípios, sem cor e sem qualquer estrutura moral, pois legalmente são constituídos, definharão.
Quanto aos católicos, a Encíclica publicada pelo Vaticano na Semana Santa não deixa de ser rigorosa, uma vez que aperta o cerco em torno de formas diferentes da igreja prosseguir. Tanto a ala das questões sociais quanto a dos padres que são também artistas recebem do Papa puxões de orelhas. Deve-se levar em conta, sobretudo, que o Sumo Pontífice escreveu sua Encíclica olhando a Igreja Católica do Vaticano para o mundo. Há particularidades que deverão, no entanto, ser consideradas. E o Brasil, felizmente, desfruta de situação privilegiada, pois acaba de eleger para a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a CNBB, aquele que por alguns anos esteve próximo do Papa, como secretário da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, em Roma. Nesta função, o ex-arcebispo de Londrina dom Geraldo Majella Agnelo, arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, estudou com atenção o sincretismo religioso. Com este conhecimento, saberá reforçar os pilares das igrejas com o que os católicos querem de sua religião.





