OPINIÃO DA FOLHA
Amadurecimento e compromisso
Enfim, obras que foram iniciadas há até 20 anos e consumiram fortunas, mas ainda não foram acabadas, podem ser concluídas. A promessa é do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e inclui o famoso Projeto Pontal Norte/Sul, em Petrolina, cujo início se deu em 1983, pelo então presidente João Batista Figueiredo. Vigorava com forte tom politiqueiro, assim como ocorreu antes e depois de Figueiredo, a idéia de salvar os estados brasileiros atingidos pela seca com projetos de dimensões assombrosas, pois eram enormes, mas inexistiam na prática e somente ganhavam formato de documento, o mínimo necessário para a aprovação e a liberação de recursos.
O Pontal Norte/Sul pretendia levar água ao semi-árido de Pernambuco, para irrigar área de 7,8 mil hectares. O projeto já consumiu R$ 85 milhões mas, pelos cálculos, ainda são necessários mais R$ 75 milhões. O tempo para concluí-lo seria de cinco anos, conforme estimativa do superintendente da Companhia de Desenvolvimento do Vale de São Francisco, José Novaes Diniz de Carvalho. Porém, 20 anos se passaram e o Pontal Norte/Sul ainda é uma vaga esperança de água para populações que sofrem com a seca.
No final de semana o presidente Lula da Silva decidiu arregaçar as mangas de seus ministros. Determinou que cada um deles faça o levantamento das obras inacabadas ou paralisadas por falta de recursos. Será, sem dúvida, um trabalho difícil, mas exige pressa e sobretudo determinação. Será fácil detectá-los, a não ser que o mau costume político de iniciar para ganhar votos e deixar sem fazer depois de eleito ou de ter perdido a eleição tenha resultado, nestes últimos anos, em uma infinidade de projetos pequenos e médios que, distribuídos em localidades diversas, tenham se perdido.
Evidente, não é o caso dos grandes. Como o projeto da rodovia Fernão Dias, que já consumiu US$ 1 bilhão. São 540 quilômetros de rodovia, de responsabilidade da União e do DER (Departamento de Estradas e Rodagem) dos estados de São Paulo e Minas Gerais. Boa parte desse dinheiro foi financiada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento e Eximbank, do Japão. Quanto à obra, está ainda inacabada, faltando a construção de acessos, passarelas, viadutos, trechos a serem duplicados e restaurados.
É hora, portanto, de apostar nessa promessa e cobrar o seu cumprimento. Já se tem um fator positivo e fundamental: a postura do presidente Lula da Silva, de dar continuidade e concluir as obras paradas, é evidência de amadurecimento político e compromisso, sobretudo, com o Brasil e toda a sua população.





