Feijão que não é maravilha
Alimentação é prioridade em todos os sentidos e, por direito, extensivo a qualquer cidadão, pertencente a diferentes classes sociais. Para que seus resultados possam contemplar igualmente a população, existe no Brasil um órgão para tratar das questões do abastecimento interno. Ou seja, da mesma forma que a queda ou a alta do dólar criam pânicos ou alívios nos exportadores e autoridades do governo responsáveis por este setor, o abastecimento interno, principalmente de gêneros de primeira necessidade, merece, a princípio, preocupação e, consequentemente, atenção especial do governo.
O feijão, prato indispensável na mesa do brasileiro, é um desses casos. Tanto quanto o arroz, que para as famílias faz no almoço e no jantar o tradicional casamento e alimenta de crianças a idosos, com raras exceções. Infelizmente, os dois alimentos estão em fase de assustadora carestia, ambos, segundo analistas, sofrendo efeitos de perdas nas safras. Compra-se hoje o pacote de cinco quilos de arroz de boa qualidade por pouco mais de R$ 10,00. Há uma semana ainda se encontrava o produto da mesma marca até por cerca de R$ 8,00.
Pior ainda com o feijão, cuja disparada de preço elevou o quilo do produto para até R$ 5,50 em mercado nobre de compras, onde se paga mais pela fama do estabelecimento do que pelo mercadoria. Ainda assim o quilo do feijão de boa qualidade, incluindo pouca escolha na hora do preparo e sabor agradável, chega a custar até R$ 3,80 em supermercados de Londrina.
Feijão e arroz, para boa parte dos brasileiros, é comida. Feijão sem arroz e arroz com outro tipo de mistura, para a grande maioria, não é uma refeição completa. Evidente, do ponto de vista nutricional este casamento permite um exagero, mas a questão é cultural. Poucos se adaptaram a um diferente hábito alimentar, com melhor balanceamento.
Sendo assim, se há algum órgão criado para tratar do abastecimento interno, cabe a este, num momento como o de agora, arregaçar as mangas e agir. Mesmo que tarde. A ação, como se percebe, poderá ter poucos resultados de momento, pois onde encontrar feijão para colocar no mercado? Não é isso que fazem com o dólar, quando querem criar efeitos em sua cotação?
No mínimo, porém, deverá ser estimulada a produção tecnologicamente cercada, para evitar que doenças e intempéries da Natureza tornem a atividade produtiva tão suscetível ao tempo e às pragas. Para isso é preciso um bom plano de governo, capaz de eliminar riscos de excesso de produção, mas que garanta à população feijão e arroz a preço de comida básica, e não produtos de luxo.

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