OPINIÃO DA FOLHA
Efeitos para o consumidor
O mercado é dinâmico e os efeitos das mudanças que ele sofre a cada instante passam rápido de uma ponta a outra. Se o preço da soja sobe, mesmo que o grão utilizado para produzir o óleo exposto há semanas na mercearia tenha sido comerciado na safra passada, eis que, simultaneamente, o produto transformado também terá reajuste. Da mesma forma, os insumos para produzir esta soja serão majorados e o custo de produção salta tanto quanto o lucro, nunca menos, quando diferente mais.
Mas se o preço da soja cai, dificilmente o efeito desse movimento para baixo vai repercutir no expositor da mercearia. O consumidor poderá correr atrás de promoções e comprar o óleo de soja a um preço que desembolsava há três meses. E em relação a esse produto o exemplo é oportuno. No último final de semana um grande estabelecimento de Londrina disponibilizou a unidade por R$ 1,99. O mesmo preço cobrado em outubro de 2002, antes do período de transição de Fernando Henrique Cardoso para Luiz Inácio Lula da Silva, que provocou uma febre de aumentos em praticamente todos os gêneros de primeira necessidade, dos alimentos ao papel higiênico.
Agora, já em vigor a anunciada redução nos preços da gasolina e do diesel para as refinarias, de 6,5% para a primeira e 8,6% para o segundo, a expectativa é de que seus efeitos cheguem ao consumidor assim que os estoques adquiridos antes da baixa sejam esgotados nas distribuidoras e no varejo. Há inclusive essa compreensão, a de que é inviável diminuir o preço daquilo que foi pago mais caro.
Espera-se que o porcentual de vantagem para o consumidor final, na bomba de combustível, seja de cerca de 5 pontos. Em valores, o proprietário de veículo pagaria aproximadamente R$ 0,10 menos pelo litro da gasolina quando os efeitos da redução nas refinarias chegarem até ele. Em Londrina, alguns postos de combustíveis já oferecem o produto por R$ 2,13 o litro, depois de um período de extremo exagero, quando a gasolina chegou a ser vendida na bomba até por R$ 2,38.
Uma diferença estonteante, se realmente as refinarias considerarem no repasse a redução determinada pelo governo e, consequentemente, as distribuidoras e o varejo tiverem procedimento igual. Acredita-se que isso ocorrerá, até por haver melhor compreensão do empresariado sobre o mercado e seus efeitos, e principalmente por haver rigor na busca do cumprimento da lei, papel este cumprido pelo Ministério Público. E a gasolina poderá custar R$ 2,03. Talvez R$ 2,00 para arredondar. Ninguém sairá perdendo. Aliás, todos ganharão.





