OPINIÃO DA FOLHA
Alívio no bolso do brasileiro
Com queda de 1,56%, o dólar fechou ontem em R$ 2,96. Patamar de cotação considerado bom ''para as exportações e para as taxas de inflação'', segundo palavras do ministro do Planejamento, Guido Mantega, que reafirmou que o governo não tem intenção de estabelecer ''piso'' para a moeda norte-americana e, assim, manter em alta as exportações brasileiras.
Dentro do próprio governo e no meio empresarial há gente incomodada com a valorização do real e, com isso, a perda de competitividade do produto nacional no mercado externo. Ou seja, quanto mais valorizado o real, mais dólares são necessários para a compra dos produtos brasileiros. Os pedidos de interferência no câmbio não têm tido eco junto à área econômica do governo Lula.
Mantega resume o estado de espírito que impera no Palácio do Planalto: não há nenhum movimento no sentido de elevar a cotação do dólar. E, por enquanto, coloca sob uma pá de cal os sobressaltos do mercado exportador, com o argumento de que boa parte dos contratos de vendas externas foi fechada em patamar semelhante ao câmbio atual. Além do que, também ''ajuda a combater a inflação''.
Aproveitando a desvalorização da moeda norte-americana e o declínio do valor do barril do petróleo tipo Brent, que estava em US$ 23,35, a Petrobras deu uma 'mão' para conter os índices inflacionários, ao anunciar a redução no preço dos combustíveis ontem. O valor da gasolina e do diesel, por exemplo, cairá 6,5% e 8,6%, respectivamente, nas refinarias. Ao consumidor, o benefício poderá se traduzir em 5,2% no preço da gasolina nas bombas. O que pode representar 0,23 ponto percentual a menos no IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), segundo cálculos de especialistas.
A verdade, no entanto, é que, depois de medidas amargas, como a elevação da taxa Selic para 26,5%, que foi mantida na última reunião do Conselho de Política Monetária do Banco Central, na semana passada, o governo toma uma medida que alivia um pouco o bolso do brasileiro. Já era hora de algo de bom acontecer para o consumidor, este que ao longo dos últimos anos amargou cargas de aumentos e nos últimos meses vive expectativas de melhora. E sendo o combustível componente de todos os preços que se praticam, ganham todos.





