Só falta emprego
Resultado de pesquisa recentemente divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística revela que no período de um ano entre fevereiro de 2002 e fevereiro de 2003 o número de desempregados quase duplicou no Brasil. Eram no ano passado 1,31 milhão de pessoas sem trabalho e que estavam à procura de emprego, cuja classificação na estatística chega a ser pejorativa: desocupados. Passados 12 meses, o número que se apresenta é de 2,4 milhões de desempregados. Em percentuais, significa crescimento de 83% no contingente de trabalhadores que não estão conseguindo ocupação. No período anterior, de fevereiro de 2001 a fevereiro de 2002, o crescimento foi de 313 mil desempregados, contra os 1,09 milhão do atual período.
Ainda que haja no próprio IBGE preocupação relacionada à metodologia empregada na Pesquisa Mensal de Emprego, pois esta sofreu mudança em novembro de 2001 e teria interferido no resultado, cabe levantar os olhos para o problema partindo-se da análise do comportamento da economia nacional e de seus efeitos na produção brasileira e no fechamento de vagas de trabalho. Infelizmente, nem o próprio Instituto tem explicação para o aumento assustador no número do desemprego, com seus técnicos apenas arriscando-se a afirmar que a nova metodologia adotada deve ter provocado o salto. Por outro lado, supõe-se, necessariamente, que o IBGE não traria a público tal resultado, caso a metodologia apresentasse possibilidade de questionamento.
Consequentemente, chega a ser em certo ponto irrelevante analisar se o crescimento foi de 83% ou menos. Merece, sim, estudo rigoroso, a busca da causa do aumento do desempregado e a definição de estratégias para combatê-lo. Evidente que no período analisado a economia nacional ainda balançava aos ventos da política recessiva mantida por oito anos pelo governo de Fernando Henrique Cardoso, na qual nada evoluiu e o que pôde ser mantido descresceu. Com exceção do desemprego, é claro, com seus saltos anuais em flagrante evolução.
Mas, às vésperas do 1º de Maio, Dia do Trabalho, cabe uma resposta concreta à questão por parte do sucessor, Luiz Inácio Lula da Silva. Os planos anunciados pelo governo após a posse não são geradores diretos de empregos. O Fome Zero, embora contenha itens de estímulo à geração de atividades, principalmente de subsistência, no primeiro momento tem caráter mais emergencial. O recentemente anunciado seguro-safra é específico demais e surge para amenizar perdas. O programa De Volta Para Casa, cujo lançamento deverá ocorrer em maio, também é específico para portadores de distúrbios mentais e não gera vagas de trabalho. Ao contrário, é mais um benefício que se abre, sem desconsiderar que a sua existência será justa.
A economia nacional reage, inclusive por força de fatores políticos. Mas não porque ocorreram medidas que levaram a uma reação. A indústria, o comércio e a agropecuária apresentam números e previsões animadores. Mas falta emprego. Algo, portanto, não vai bem e exige um plano concreto. É hora de presentear o trabalhador com uma ação.

mockup