OPINiÃO DA FOLHA
Mudança necessária
Existem ambulantes que deixam de perambular com seus produtos e fixam-se em algumas áreas estratégicas da cidade, onde cativam seus fregueses e transformam o local em ponto, porque alguém permitiu. Sim, o quadro medonho do desemprego contribuiu nestes últimos anos para o aumento em escala acelerada do número de vendedores autônomos, mas de forma alguma pode ser dito que eles tomaram calçadas, passarelas de praças públicas e outros lugares de grande concentração ou trânsito de pessoas por falta de uma atividade fixa de obtenção de renda.
Se os ambulantes existem e com o passar do tempo tornaram-se ''proprietários'' de espaços públicos, a culpa é da permissividade, esta que despreza leis e costuma empurrar os problemas com a barriga, como se diz popularmente. E, em Londrina, o mal vem de anos atrás, possibilitando agravamentos. Agora, com a intenção do poder público de regularizar a situação, cria-se um impasse, geram-se polêmicas, surgem os favoráveis e os contrários. Por culpa do mesmo poder público que agora acena com um conserto, ressalvando-se apenas que o problema surgiu em gestões administrativas passadas.
A realidade é clara e preocupante. O terminal de ônibus urbano localizado no centro da cidade precisa de reparos urgentes. Segurança e estética do local dependem da execução de obras, que só podem ser feitas retirando os carrinheiros de lanches que circundam boa parte da edificação. É claro, a proposta do poder público é de que estes pequenos comerciantes sejam definitivamente retirados da área e, por isso, até se acenou com propostas de novos espaços para os ambulantes se instalarem. Tenta-se, portanto, solução.
Clara e preocupante também é a situação dos pedestres nas proximidades do terminal. Trecho da Rua Benjamin Constant, por exemplo, é intransitável, pois os carrinhos de lanches ocupam boa parte da calçada. Assim como é clara e preocupante a condição dos lancheiros, que temem perda de movimento com uma eventual mudança.
O poder público, no entanto, tem que raciocionar pela lógica. E esta diz que o terminal é de milhares de pessoas que dependem diariamente do transporte coletivo. Para estas é que devem ser feitas as obras, urgentemente, assegurando aos usuários segurança e inclusive conforto, num espaço arejado e possível de se respirar. E mesmo quem não usa o terminal, mas tem no meio do trajeto a área que o circunda, merece transitar por calçadas limpas.
Quanto aos ambulantes, basta lembrar que os camelôs também resistiram a uma mudança. Hoje percebem que as novas instalações, muito mais adequadas, tornaram inclusive a frequência do camelódromo mais diversificada.





