Liberdade de imprensa


Comemora-se no 3 de maio o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, data que leva a maioria dos veículos de comunicação de massa do País à necessidade de repensar sobre os seus papéis perante a sociedade. Liberdade com responsabilidade, eis a receita que deveria estar em uso. No entanto, o que se percebe ao toque dos digitais de algumas emissoras de rádio e de tevê, e na leitura de determinadas revistas e jornais, é o uso em escala do espaço concedido equivocadamente por uma permissividade que conduz, na maioria das vezes, à injustiça.
Também é notório o apelo à política de concessões em alguns dos veículos, com grupos políticos e econômicos praticamente pautando as linhas editoriais. Este jornal descobriu o salutar caminho da independência nestes últimos anos. É verdade, amargou apertos e exigiu o sacrifício de todo o seu quadro de pessoal, desde o mais simples funcionário lotado no setor de distribuição ao mais graduado dos diretores. Isto porque a independência editorial, visando a exatidão e a coerência nas informações publicadas, de forma a oferecer um produto de qualidade aos leitores, foi mal interpretada por alguns políticos. E estes, quando deveriam apoiar tal iniciativa, decidiram castigar injustamente o veículo e as pessoas que o fazem. Assim, suspenderam a veiculação no jornal de anúncios obrigatórios, tais como editais e balanços.
A publicação destes instrumentos, muitas vezes, é determinada por lei, entendendo-se que é obrigação do poder público informar a população sobre suas decisões, suas atividades e suas contas. E cabe veiculá-lo de forma que toda população tenha acesso a tais informações. Este jornal, indiscutivelmente, representa uma grande região, mas foi excluído da propaganda obrigatória do governo estadual na gestão anterior a esta. Também não dependeu de recursos das propagandas obrigatórias do governo federal e da administração municipal de Londrina, da mesma forma nas gestões anteriores.
O balanço que se faz atualmente dessa situação do passado é positivo. Ganhou o leitor, pois, para o jornal e para todos que participam de sua elaboração, vigora a clareza de que em momento algum determinadas imposições de alguns anunciantes inconvenientes, mesmo que feitas sutilmente, mancharam a linha editorial da Folha. E tão salutar quanto isso é a lição que restou: este jornal sobreviveu aos boicotes e não pecou com o leitor.
Outras questões relacionadas à liberdade de imprensa devem ser discutidas. Uma delas, tão nociva quanto a que tratamos hoje, é o do uso da violência para calar os profissionais dos meios de comunicação. Exemplo recente ocorreu em Londrina, com uma jornalista sofrendo ameaças devido a um projeto profissional que desenvolve na empresa onde atua. Este caso será tratado ainda nesta semana neste mesmo espaço, de forma a se manter aberto o debate sobre o papel social dos jornais, revistas e noticiosos de rádio e tevê.

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