Esperança e ação
O domingo de Páscoa deve ter, necessariamente, um significado mais que especial para a população brasileira. Além do sentido religioso, cuja simbologia mais forte entre os leigos é a ressurreição, deve-se encarar a data como um importante marco para a renovação das esperanças.
É verdade, costuma-se dizer que o brasileiro vive de esperanças e o imaginário popular nada tem de equivocado. Historicamente, de eleição a eleição, de promessa a promessa e da noite para o dia, a esperança, como se diz, é a última que morre. A cultura nacional permite que tudo se misture, como o prêmio milionário da loteria de números, também fator de esperança para muitos que apostam já planejando o futuro.
E há que se apostar em alguma coisa, não só torcendo por esta aposta mas, sobretudo, agindo para que ela se realize. A campanha eleitoral de 2002 mobilizou milhões numa ação nobre: a escolha dos representantes políticos do País, desde o presidente da República até os deputados estaduais. E não foi, daquela vez, a necessidade de cumprimento de uma obrigação que levou os eleitores para as urnas. Foram os brasileiros dar os seus votos apostando na possibilidade de mudanças nos rumos políticos do Brasil, o que resultaria em avanços em todas as áreas, sobretudo na economia e nas questões sociais.
Mais de três meses se passaram desde a posse dos novos governantes. A tradição reza que ainda é tempo de espera mas, quando se buscam avanços, tudo o que até hoje foi prejudicial ao País deve ser mudado. Propostas de mudanças, pois, elegeram o presidente da República. E uma das receitas antigas que deve merecer o descarte é o de esperar. Ação é a palavra de ordem, o que implica inclusive no dever da população cobrar promessas que vão sendo adiadas.
Como em qualquer governo, o de Luiz Inácio Lula da Silva também apresenta pontos de derrapagens, onde se fala, mas não se faz. O Fome Zero parece um gigante, mas ainda não se vê efeitos junto às comunidades que teriam que ser beneficiadas. Por enquanto, noticia-se, com frequência, doações que foram feitas por empresas ou grupos, em cheques ou espécies simbolicamente entregues ao presidente, durante suas visitas à determinadas regiões. A destinação, porém, carece de informações.
Esperança, portanto, pode ser a marca a ser renovada nesta Páscoa. Mas, junto, é preciso cobrar. E este papel é da sociedade civil. O presidente Lula da Silva, por ser um homem público que surgiu da base, tem a necessidade de ver suas propostas caminhando para planos e projetos de governo. Nem todos os seus assessores pensam assim. Alguns ainda não assimilaram as propostas de mudanças. Eis a oportunidade de cobrá-los, através de quem é sensível: o próprio presidente. Esperança sim, mas com ação.

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