OPINIÃO DA FOLHA
Tutela, o mal necessário
Raros são os exemplos hoje no Brasil de comunidades indígenas que se sustentem via projetos agropecuários ou artesanais específicos, embora estes estejam implantados e os esforços para que os resultados conciliem ocupação e renda sejam louváveis. Há, citando o caso de regiões mais distantes dos grandes centros urbanos, localidades onde já se trabalha inclusive visando o desenvolvimento sustentável, com os indígenas plenamente conscientes do que fazem, como o fazem e com quais objetivos.
A exploração do guaraná nativo, cujo mercado é pródigo e a clientela é internacional, permite quase autonomia financeira para algumas comunidades da ponta norte do País. No outro extremo, sobram casos de enriquecimento de líderes indígenas com a exploração ilegal da madeira, por força de sistemas inescrupulosos que levam estes povos para o lado perverso em troca de riqueza.
Não é o caso do Paraná. Aqui, a maioria dos postos indígenas está localizado próximo de centros urbanos. Bastam alguns quilômetros a pé ou a cavalo para o índio se deparar com atrativos que não encontra em sua comunidade. E nem a instalação de centros de convivência, como ocorre em Londrina, evita que algumas famílias aproveitem a vinda à cidade para mendigar. O álcool também se torna acessível, pois nem todo comerciante se cuida no momento da venda de uma garrafa de pinga. É bom que se diga que o esforço dos responsáveis pelo acompanhamento dessas famílias é inquestionável. O que se analisa, no entanto, são as permissividades decorrentes do fácil acesso aos centros urbanos.
Frise-se também que mesmo no Paraná há trabalhos exemplares, inclusive na área de reflorestamento, envolvendo comunidades indígenas. Via parcerias, tais projetos em pouco tempo darão os frutos esperados e, consequentemente, tornarão fortes os estímulos entre os participantes. Como vigoram, além do mais, modestos mas importantes projetos de agricultura e criação de animais.
Considera-se, portanto, que as expectativas em relação às nossas comunidades indígenas sejam a do desenvolvimento. Talvez com riscos semelhantes aos da sociedade de fora das aldeias. Álcool, drogas, cobiça, crimes e perda das tradições culturais são fatores extremamente nocivos e os brancos estão imunes a eles. Talvez por isso, neste 19 de abril, Dia do Índio, predomine a necessidade de se reforçar o valor da tutela, criticada por parcela dos brancos e dos próprios indígenas. Se for um mal necessário, assim seja. Valores devem ser preservados e só a orientação intensiva é capaz de sucesso nesta empreitada.





