OPINIÃO DA FOLHA
Por um novo quadro da dengue
Embora o número de casos confirmados de dengue em Londrina estivesse em 2.080 ontem, alguns índices positivos começam a devolver para as autoridades sanitárias e a população esperanças de que os trabalhos em andamento, visando a erradicação da doença, já apresentam resultados satisfatórios. O mais expressivo deles é o da queda na infestação do mosquito transmissor, o Aedes Aegypti, que de 4,95% em janeiro e fevereiro desceu para 0,77% em abril. O número de notificações também apresenta redução desde o fim de março, segundo a saúde pública, embora por estes dias o acúmulo de exames a serem feitos no Hospital Universitário Regional do Norte do Paraná tenha criado impressão contrária.
De acordo com levantamento divulgado ontem pelas autoridades sanitárias, existiam até o momento 9.105 notificações registradas. Porém, desse total, apenas três mil exames haviam sido feitos. Trabalhava-se, portanto, com a estimativa de cerca de quatro mil confirmações, considerando que de 60% a 65% dos exames apresentam resultados positivos, de acordo com informações da própria Regional de Saúde.
Percebe-se, portanto, que a situação ainda é de gravidade e preocupação. As autoridades sanitárias, que em passado recente titubearam nas ações de controle da doença, neste momento estão de prontidão, de mangas arregaçadas. A Regional de Saúde concentra esforços no combate efetivo ao mosquito transmissor da dengue e seus criadouros. A Secretaria Municipal de Saúde, como parte deste conjunto que trabalha contra a doença, alerta sobre a necessidade de mobilização da sociedade e da intensificação das atividades de campo. O Hospital Universitário, como noticiado ontem, reforça a equipe de laboratório responsável pela realização dos exames.
Enfim, sanar o problema agora e adotar medidas que evitem a repetição deste quadro no próximo verão são medidas emergenciais e inadiáveis. Nesse sentido, a expectativa é quanto ao sucesso da operação que será desencadeada pelo poder público neste inverno, visando a erradicação dos focos de Aedes Aegyti e reforçando o trabalho de conscientização dos londrinenses sobre a gravidade da doença e como evitá-la. Hoje, no caderno Folha Cidade, uma reportagem denuncia uma situação pouco colaborativa de parte da população. Em alguns bairros, de classe média, moradores dificultam o trabalho dos agentes da dengue e justificam que é por causa da insegurança. São trabalhadores devidamente identificados e se há desconfiança cabe à pessoa visitada exigir a identificação. Pois também é inseguro conviver com uma doença que pode ser controlada com a vontade de todos.





