Estrutura para a produção



O setor agropecuário, que no domingo encerrou em Londrina um de seus principais eventos do País a 43 Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina , depara-se, diante da estimativa de safra recorde, com um sério problema. Segundo recente levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil deve colher 112,36 milhões de toneladas, em área de 42,31 milhões de hectares, conforme reportagem que este jornal publica hoje em seu Caderno Folha Economia.

A mesma Conab, entretanto, alerta que a capacidade estática atual dos armazéns é de somente 87,53 milhões de toneladas e nem todos os armazéns estão credenciados pelo órgão para receber a produção agrícola. E sem onde manter o produto, o agricultor tem que negociá-lo, ao preço de momento, mesmo que esteja em condições de guardar parte da colheita para comercializar em época mais oportuna. É claro, na reportagem da Folha Economia a relação entre estocagem e negociação é analisada por um representante da iniciativa privada, justo do setor de armazéns. Porém, de nenhuma forma este parecer está equivocado. Ao contrário, condiz com a realidade que se apresenta. Este mesmo empresário aponta a alternativa do agricultor escalonar a venda da produção, desde que tenha onde armazenar o que será negociado depois.

O que ocorre é que a agropecuária brasileira vem de sobressaltos, de política para política, enfrentando situações que nem sempre foram as mais favoráveis. Ou melhor, quase sempre se caracterizaram como desestimuladoras. Regras costumavam ser mudadas da noite para o dia, de acordo com o soprar do vento e as pressões que estes faziam nas mesas palacianas. Cada governo impôs seu modo de enxergar a agropecuária, mas raros deles a incluíram nos seus planos de desenvolvimento do País, negando ao setor o seu devido peso na economia nacional. Políticas agrícola e pecuária, se existiram, foram em poucos momentos de lucidez na escolha de ministros conhecedores da realidade nacional.

Infelizmente ainda é necessário considerar que a euforia que atinge a classe produtora rural, nestes primeiros meses a partir de mudanças no governo federal, não é reflexo de uma política acertada para a agricultura e a pecuária. O que ocorre é que o próprio mercado tratou de sorrir para quem produz, criando condições que estimulam ainda mais a produção. Então, há uma dívida para com o campo e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que no sábado enfatizou em seu discurso, em Londrina, a necessidade de valorizar o campo, deve cobrar de seus assessores soluções para mais esta equação que se apresenta. O País está produzindo mais, graças aos esforços da classe produtora. E tem condição de produzir mais, para isto necessitando de toda a estrutura possível.

mockup