OPINIÃO DA FOLHA
Economia de um jeito certo
A determinação do governo do Paraná de reduzir em 30% as despesas de custeio da máquina administrativa estadual é uma receita simples e de resultado visível, mas de pouco uso nas três diferentes esferas do Executivo. Até por isso, deve ser qualificada como a solução certa para um problema antigo, eis que ressurge a cada nova gestão e exige dos governantes medidas nem sempre agressivas em termos de solução efetiva.
Agora, no entanto, a proposta que se apresenta tem ponto de sustentação inquestionável, pois está fundamentada na suspensão dos contratos de terceirização de serviços e bens, entre os quais a locação de veículos e imóveis. Deve cair também o valor das diárias de viagens, complementado com a determinação de economia de combustível, energia elétrica e telefone.
Confirma-se, portanto. São medidas simples. Nada que possa afetar o funcionamento da máquina administrativa, desde que implantadas com planejamento e sabedoria. Avaliar que a redução de despesas seja sinônimo de queda na qualidade do serviço público é consideração de tom puramente discursivo. Na verdade, o que o governo faz é o mesmo que uma empresa de qualquer porte adota, quando precisa reduzir custos. Ou seja, economiza-se no que não interfere na produtividade. Não adianta produzir a mesma quantidade com menos qualidade. Descuidar de ambos, qualidade e quantidade, tende a resultar em desastre.
Num exemplo mais próximo do cidadão, o que se faz é cortar o queijo, se o orçamento doméstico não permite a compra deste produto. Ou reduzir o horário da Internet, se a despesa com a tarifa da conta de telefone faz o orçamento explodir. Mas não se economiza no arroz e no feijão, pois estes compõem a base da mesa brasileira. Não se deixa de comprar roupas, mas é possível mudar a marca do vestuário adquirindo produtos tão bons quanto os mais caros.
Não é somente por isso que a determinação do governo deve ser assimilada com respeito pela população. O mais fundamental é que a economia proposta tem uma destinação importante: investimentos. E o Paraná de agora, pouco mais de três meses após a mudança de gestão, é um Estado carente de investimentos em vários setores. Saúde, educação, segurança pública, cultura, esporte e infra-estrutura podem ganhar com economia feita sem muitos sacrifícios. Elimina-se, assim, a idéia de que no serviço público tudo é permitido, inclusive gastar horas pendurado ao telefone para tratar de assuntos particulares. Ganha, portanto, também o servidor público, pois saber que o dinheiro do contribuinte é bem utilizado causa alívio.





