OPINIÃO DA FOLHA
Precaução máxima
Série de reportagens que este jornal publica desde ontem sobre a dengue, com base em depoimentos colhidos durante evento de abrangência nacional realizado no fim de semana, no Rio, tem o objetivo central de alertar autoridades sanitárias e a população em geral sobre os riscos que a doença podem trazer caso as medidas para combatê-la resultem em fracasso. Especialistas conceituados foram ouvidos pela reportagem da Folha, convidada a participar do acontecimento.
Algumas informações são preocupantes, mas não é com a intenção de criar impacto negativo que se desenvolve um trabalho jornalístico. O que se pretende é reunir subsídios que possam contribuir para a eliminação do problema. Assim, saber que mosquitos transmissores da dengue podem se reproduzir em água suja, ao contrário do que se propagou até agora, permite imaginar que o causador da doença cria resistência e pode permanecer em circunstâncias até o momento consideradas adversas. Porém, a informação é útil para que os trabalhos de combate sejam estendidos para novas condições de proliferação do inseto.
A população de Londrina amadurece com este problema de saúde. Embora em casos isolados ainda se faça necessária a intervenção da Justiça e da Polícia, como se lê em reportagem publicada nesta edição no caderno Folha Cidade, devido a dificuldade dos agentes de sa© úde verificarem algumas poucas residências, predomina a conscientização sobre os perigos da dengue. É claro, algumas baixas se fizeram até que a gravidade da doença fosse compreendida, mas ainda que tarde as providências individuais e coletivas visando eliminar os riscos da dengue passaram a ser corriqueiras.
Duas outras doenças, no entanto, merecem preocupação e medidas preventivas. A conjuntivite já fez muitas vítimas nas últimas semanas em Londrina e combatê-la é menos complicada que a dengue. Não é por isso que sua gravidade possa ser subestimada. Já mais complexa e de mais risco é a pneumonia asiática, responsável por quase uma centena de mortes em todo o mundo e, como se confere nos informes da saúde, possivelmente já presente no Brasil com a entrada de estrangeiros provenientes de localidades onde a doença já faz vítimas, inclusive fatais.
Da mesma forma, o Paraná se prepara, criando estrutura de atendimento de supostas vítimas, adaptando para isso quatro hospitais do Estado. Mas é preciso muito mais. Materiais de exames e de tratamento não podem faltar. Cabe ao governo federal fornecê-los e há urgência. O Paraná tem fronteiras e dessas faixas podem entrar pessoas que carregam a doença.





