Antes da volta por cima
Dar a volta por cima para o País voltar a crescer. Este deve ser o grande objetivo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, conforme revelação feita por ele aos meios de comunicação. ''Não há um dia em que eu não levante com a certeza de que nós vamos dar a volta por cima e este País vai voltar a crescer''.
Claro. Não foi com outra expectativa que o eleitor o fez vencedor nas urnas em outubro do ano passado. Eleito presidente, o brasileiro colocou Lula da Silva no comando do País para que ele pudesse colocar em prática suas propostas de mudanças. Oito anos de política econômica recessiva e de política social discursiva foram demais para o cidadão, que ao votar pediu desenvolvimento econômico e maturidade social. Não fosse assim, outros candidatos, avançados no discurso mas de passado comprometido com a mesmice, teriam vencido.
Na quinta-feira, Lula da Silva completa os seus primeiros 100 dias de governo. Se fossem outros tempos, este governo poderia ser avaliado da mesma forma que os anteriores, e ainda estaria na fase de adaptações. Mas o Brasil de agora exige ações emergenciais. A transição, neste contexto, não poderia passar das vésperas da posse, e o acerto da equipe de primeiro escalão e de seus programas deveria ser engatilhado já nos primeiros dias de gestão.
Lula da Silva, sozinho, assim se fez. Assinou seu diploma de grande estadista ao se posicionar com firmeza diante de situações complexas, a mais expressiva delas a da posição brasileira diante do conflito entre os Estados Unidos e o Iraque. Carece, entretanto, de assessores de mais ação e ousadia, ao que se percebe, pois se vê obrigado a adiar o seu sonho de dar a volta por cima por falta de atitudes do primeiro escalão. Assim sente, como todo povo brasileiro, emperrado o grande projeto do Fome Zero, que não passa de esparsas cerimônias e exagerados discursos. O mesmo ocorre com o Primeiro Emprego, outro grande projeto que ainda não passa de um ideal.
Não é Lula da Silva a autoridade responsável por fazer funcionar os programas do governo. Como presidente, ele escolhe e delega poderes a assessores, para que seus planos se desenvolvam. A sua função é quase suprema e de tamanho respeito que, se algum assessor faz emperrar o governo, este, pelo presidente, deve ser advertido ou até mesmo substituído. Eis, por enquanto, o que é preciso agora. Lula da Silva, comprometido com o seu Brasil, quer avanços. Mas há quem impeça, tomara que seja por falta de habilidade. Lula da Silva não precisa arregaçar as mangas para fazer o País dar a volta por cima. Só precisa de bons assessores. A caneta que pode movimentar este País para frente está nas mãos dele.

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