OPINIÃO DA FOLHA
Mais empregos no interior
O interior do Paraná aparece mais uma vez como o grande responsável pela recuperação de vagas de trabalho no Estado, de acordo com levantamento periódico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese). O mesmo resultado foi colhido no mês passado, mas com base em janeiro. Quanto a fevereiro, o estudo aponta que foram criadas 10.770 vagas em todo o Paraná, número que representa crescimento de 0,71% em relação a janeiro. Mais importante ainda é que, segundo o Dieese, o índice representa o melhor desempenho do Estado na criação de empregos, desde fevereiro de 1990.
O levantamento também confirma uma situação já analisada neste espaço e que se repete agora. O interior foi responsável por 72,3% das vagas criadas em fevereiro, enquanto a Grande Curitiba por apenas 27,6%. É preciso acrescentar que os empregos criados estão concentrados nos setores mais tradicionais da economia paranaense, principalmente o agrícola, cujo desempenho apresenta melhoras expressivas devido ao crescimento da renda. O campo experimenta, depois de anos de decepções, um período de otimismo. O mercado e o clima têm sido aliados do produtor, permitindo finalmente que a atividade rural proporcione não somente a renda que qualquer negócio exige, para se consolidar, mas principalmente expectativas. Produz-se mais e com melhor tecnologia, estabelecendo-se a tão cobrada profissionalização da atividade agrícola.
Que seja, portanto, a agricultura a responsável pelo crescimento do nível de emprego no Paraná. Constatação suficiente, aliás, para defender outra vez a necessidade do Estado ser analisado sob um enfoque global, mas respeitando-se vocações regionais, como pretende o plano de desenvolvimento apresentado recentemente pelo goveno. É a receita para evitar investimentos equivocados, ou talvez cobertos por interesses estranhos.
O Paraná de um passado recente sofreu desse mal, a ponto das análises apontarem para um desprestígio flagrante do interior em termos de investimentos visando a geração de empregos e de receita. Sobrou uma dolorosa lição, a do próprio desenrolar dos acontecimentos, provando que o governo anterior errou ao beneficiar área distinta em sua política de industrialização. Pois nem empregos foram criados, face à necessidade de importar profissionais especializados para preencher as principais e mais importantes vagas abertas.
Pode-se dizer, assim, que circunstâncias de mercado fazem o Estado ser visto pelos seus administradores de um jeito diferente do que foi até o ano passado. O Paraná é um só e não deve ter as prioridades voltadas para regiões distintas. Por isso, a esperança é de uma nova alavancagem a partir da colocação em prática do plano de desenvolvimento do atual governo, credenciado por um processo de elaboração isento de interesses restritos e embasado em avaliações técnicas.





