Melhor pecar pelo excesso de zelo
Anunciada sábado, a intenção de centralizar os atendimentos dos casos suspeitos de dengue é uma medida a ser adotada com a máxima urgência. O quadro da doença em Londrina assim o exige e não se pode admitir falhas na atenção aos pacientes com os sintomas da doença, como ocorreu recentemente com a vítima que veio a falecer no final de semana, mesmo tendo procurado por atendimento dias antes.
Parece ter ocorrido nesse caso uma espécie de despreparo das equipes responsáveis pelos atendimentos, nas unidades por onde a vítima esteve. Um diagnóstico errado e uma medicação equivocada, se não causaram diretamente a morte da paciente, no mínimo contribuiram para isso. A dengue, na forma hemorrágica, exige atenção imediata do doente para que haja reversão do quadro e o risco de morte seja afastado. E a vítima fatal teve a doença detectada somente quando já se encontrava em estado gravíssimo, quase uma semana após ter procurado o serviço de saúde.
Por uma questão de justiça, é claro que as autoridades de saúde tomarão providências não somente para apurar responsabilidades, mas sobretudo para evitar que erros como o da última semana voltem a se repetir. Não se pode encarar a situação da dengue em Londrina como alguma coisa a ser enfrentada ao acaso ou por determinação do destino.
O enfoque é mais profundo: todos pertencem ao grupo de risco, na medida em que, como cidadãos, não carregam um crachá no peito avisando ao mosquito transmissor que este pode ser vítima da doença, aquele não. E também não se admite viver com o cano de uma arma apontada para a cabeça, duvidosamente engatilhada para a roleta russa: se eu contrair dengue, a doença será detectada em tempo hábil?
A sociedade londrinense está mobilizada e de prontidão. Se existe ainda e sempre a necessidade de ações preventivas a serem adotadas diariamente por cada morador desta cidade, por outro lado há o papel que só cabe às autoridades de saúde. É o de prover o sistema de atendimento com equipes atentas, capazes de ações emergenciais a qualquer hora do dia e da noite diante da menos provável suspeita que surgir.
E, nesse caso, é melhor que as suspeitas sejam descartadas. Que a menor quantidade de análises tenha confirmação. E, principalmente, que para todos os atendimentos que forem feitos a partir de agora, o excesso de zelo seja motivo de um suspiro de alívio. E não o contrário.

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