Poder que não existe
O poder paralelo está instituído! Mentira. Criou-se, na verdade, mitos do mundo da criminalidade para justificar incompetências, cujo resultado mais danoso é a impunidade que transforma bandidos em ídolos. Fernandinho Beira-Mar, o mais recente e, portanto, em moda, talvez não passe de um braço direito de outro braço direito, que por sua vez escore tantos outros, a ponto da identidade do verdadeiro dono do tráfico de drogas ser desconhecido pelo próprio Beira-Mar.
Mas parte da polícia e do sistema penitenciário brasileiro, provavelmente estimulada por grupos que defendem interesses contrários ao da nação e que agrupam alguns políticos, um tanto de representantes do Judiciário e, por infeliz extensão, até segmento dos meios de comunicação, decidiu fazer de Fernandinho Beira-Mar uma espécie de todo poderoso que, mesmo enclausurado, comanda o mundo da criminalidade. E se estivesse Beira-Mar neste momento amordaçado, algemado e garantidamente incomunicável, ainda assim teriam a ousadia de dizer que o traficante ordenou a execução de fulano ou de sicrano.
Percebe-se, portanto, que rondam os bastidores de mais esta terrível história os criadores de mitos. São estes que fazem o combate à criminalidade virar espécie de ''reality show'', pois espetáculos costumam virar os olhos da população para onde não estão as respostas para os problemas nacionais, inclusive o do submundo do narcotráfico.
Não há, como se vê, poder paralelo no Brasil. O que faz predominar esta situação é bem o contrário: na verdade, falta decisão política, de forma que o poder oficial, e este é o único que deve prevalecer, assuma o seu papel nas diversas áreas e dê soluções duradouras. Assim deve ser na saúde, na educação, na economia, nos transportes, na segurança pública e em tudo o mais que exige ações do governo.
Pois enquanto o procedimento não for este, outros bandidos surgirão e imputarão a ele não só os crimes, mas também as glórias de soluções que não existem. Mortes e atrocidades se sucederão, justificadas com a conversa de sempre: culpa do poder paralelo. E todos, enfim, se darão ao direito de criar o seu próprio poder paralelo, este que não existe e é o culpado de tudo.

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