OPINIÃO DA FOLHA
Febre de emancipação
Foi como um festival de emancipações. Projetos entravam aos montes na Assembléia Legislativa e os deputados estaduais disputavam a causa das pequenas localidades que queriam ser transformadas em municípios com unhas e dentes. Assim, foram surgindo da noite para o dia as comunidades emancipadas. E, com elas, mais prefeitos e mais vereadores, para populações muitas vezes inexpressivas. Alguns dos novos municípios emancipados nestes últimos anos ainda sofrem de um problema crônico da maioria das localidades que ganharam essa espécie de maioridade mais recentemente. No caso do Paraná, onde a predominância é a agropecuária, a ausência de núcleos industriais mostrou às novas lideranças que o desemprego é mais sério do que o esperado e a falta de arrecadação pode transformar rapidamente uma estrutura administrativa precária em um verdadeiro fracasso.
Sem dinheiro não se consome e até o pequeno, mas antes importante setor comercial, se abala. A sazonalidade da agropecuária, por outro lado, sustenta uma economia de oscilações: hoje, com uma safra, se tem para algum consumo; amanhã, na entressafra, nada se é permitido comprar. E a tão sonhada emancipação, conseguida via mobilização daquela comunidade e endossada por um parlamentar, que dono de um projeto de lei consegue aprovar a sua proposta, acaba se transformando em um pesadelo. É claro que algumas localidades ganharam com a emancipação, devido às características das regiões onde estão localizadas. Caso das áreas inundadas para construções de hidrelétricas, por exemplo.
Esse círculo, que já parecia viciado, havia perdido intensidade. Algumas lições do passado serviram para políticos e as próprias comunidades interessadas desistirem da luta emancipatória. Não é o caso do distrito de Lerroville, em Londrina, onde os moradores já estão se reunindo para buscar a emancipação. Infelizmente que isto sirva não como crítica para esta população e tenha efeito de alerta , os argumentos defendidos para esta luta são fracos. Não se busca a emancipação porque o distrito só recebeu uma ambulância até agora ou porque a localidade está tomada pelo matagal. Há na periferia de grandes centros urbanos bairros que, da mesma forma, sofrem da falta de infra-estrutura.
O que precisa ser analisado é o potencial da localidade. Há indústrias? Qual é o potencial de arrecadação? Os moradores de Lerroville já conhecem a resposta da primeira pergunta: não há indústria, o comércio é local e a atividade econômica que proporciona arrecadação e gera algum emprego é a agopecuária. Quanto à segunda questão, os moradores ainda aguardam um levantamento, a ser providenciado através de um vereador de Londrina, para conhecer os valores arrecadados com ICMS, ISS, IPTU, Incra e IPVA. Pelos números, poderão entender que o custo da máquina administrativa é pesado e exige muito mais do que impostos e tributos para ser custeado.





