OPINIÃO DA FOLHA
O Brasil e a guerra
Parceria econômica e diplomacia nunca tiveram relação direta com submissão política. Mas a maioria dos países em desenvolvimento se manteve nos últimos anos atenta aos toques das bengalas de seus financiadores para manifestar posição recomendada por estes. Inclusive o Brasil. Assim, governos que se seguiram foram contra a vontade da população e defenderam, por algumas vezes, decisões antipáticas aos olhos não somente dos brasileiros, mas sobretudo do mundo.
Anteontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ratificou, durante pronunciamento oficial, a posição do governo brasileiro em relação à guerra dos Estados Unidos contra o Iraque. Lula lamentou o início da ação armada sem a autorização expressa do Conselho de Segurança da ONU, também lembrando que ele próprio e a diplomacia brasileira fizeram todos os esforços para que o conflito fosse evitado. Em afirmações anteriores, o último deles às vésperas da deflagração do conflito armado, o presidente Lula da Silva havia se manifestado firmemente contra a guerra. ''Todos precisamos de estabilidade e de paz para levar adiante nossa luta pelo desenvolvimento econômico com justiça social'', repetiu por várias vezes nestes últimos tempos, inclusive em evento de âmbito mundial, onde mereceu aplausos dos presentes e abordagens elogiosas em artigos publicados pela imprensa internacional.
Nestes últimos anos, é a primeira vez que um presidente brasileiro defende posição clara e firme sobre um conflito internacional. Se antes incidentes parecidos desagradavam a população e o governo, o que se ouvia nos pronunciamentos oficiais deixava a desejar. Buscava-se a manifestação equilibrada, onde o não e o sim chegavam a ter mesmo peso. Considerações em demasia levavam a interpretações dúbias. Metáforas e termos incomuns transformavam linha reta em novelo. No tom do discurso oficial, contrários e favoráveis podiam dançar a mesma música.
Agora, se o presidente Lula da Silva ainda peca pela demora de ações por parte de alguns dos seus assessores e mesmo podendo ter se equivocado na escolha de alguns deles, que até por isso desagradam parte da população , ao menos o Brasil conta com um estadista respeitado pelo mundo. Firme, Lula da Silva dá os seus recados, inclusive sobre a deflagração da guerra pelos Estados Unidos. ''Interpreto o sentimento do povo brasileiro, que deseja viver em um mundo pacífico, em que as normas do direito internacional sejam plenamente respeitadas''. Assim o país recupera respeito diante das grandes potências, pois passa a assumir o seu papel de nação importante.





