Intransigência de ambos os lados
Queimada as fichas de uma negociação cujo resultado esperado era o benefício a si próprio, o presidente norte-americano George W. Bush decide sozinho por um ultimato e dá prazo de 72 horas para que o presidente iraquiano Saddam Hussein deixe o seu país. Países com os quais Bush contava lhe dão as costas, através de seus representantes, ainda tentando uma saída sem mortes para o conflito que pode terminar em guerra. O da Alemanha, por exemplo, ao ser questionado por um jornalista se não estariam, estes que resistem à idéia do confronto armado, se sentindo neste momento como ''Alice no país das maravilhas'', pelo fato de ainda defenderem a solução pacífica enquanto os Estados Unidos já anunciam a dominação do inimigo pelas armas, respondeu inteligentemente. E disse que enquanto houver uma única chance de solução sem armas, 100 por cento dessa única possibilidade deverão ser usadas.
O mundo sabe que o confronto EUA x Iraque não reúne santos. De ambos os lados há figuras parecidas, cuja característica principal é a gana pelo poder e o domínio. Nenhum dos dois personagens centrais desta história discursou no passado pela liberdade dos povos. E nem haveria como, pois se um mantém a sua população calada sob forte pressão ideológica, outro estabelece a censura no seu país para evitar que os debates sobre a possível guerra e, sobretudo, sobre as causas do confronto, cheguem até os cidadãos. Mas ainda que mal informados sobre este epsódio, o povo norte-americano levanta bandeiras pela paz, juntando-se a manifestantes de várias partes do mundo que protestam contra a guerra.
É uma briga de dois líderes que querem ser um o gato, outro o rato. Em suas contradições, invertem os papéis: o gato vira rato, o rato vira gato. Um tem petróleo, outro domina um país que como qualquer outro agora enfrenta crise e desemprego. Um mantém a população dominada, o outro quer dominar um país que já é dominado. Intransigências que não permitem enxergar o apelo que o mundo faz: paz.
O Brasil ratificou ontem sua posição, defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de insistir na negociação pacífica. É o caminho a ser seguido. Mas, para isso, Bush e Saddam devem ceder. Não se sabe, porém, qual deles é o mais teimoso, embora o presidente norte-americano transmita sede de matar até nos gestos e nas palavras de seu secretário de segurança.

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