OPINIÃO DA FOLHA
É hora de ação
O tomate a R$ 4,00 o quilo em estabelecimentos frequentados por consumidores mais favorecidos e o pimentão graúdo a R$ 8,00 o quilo num supermercado consultado por diferentes faixas de pessoas são evidências de um distúrbio econômico grave no Brasil das mudanças, aquele mesmo prometido em campanha eleitoral pelo agora goveno Lula da Silva. Preços tão elevados destes e de outros produtos não podem ser justificados com frases prontas: a estiagem de ontem, a chuva de anteontem, o petróleo de agora, o pedágio de outro dia e o sabe-se lá o que do futuro.
Fenômemos naturais e instabilidades econômicas causam, sim, influência na vida das pessoas, quando a ponta do lápis calcula números da economia doméstica. Mas assim, como ocorre hoje, é demais. Podem ser duas as causas da carestia que se comprova nos supermercados, quitandas e feiras livres, embora se enumerem dezenas de justificativas. A primeira, a imobilidade governamental. A segunda, o abuso que determinados setores cometem quando percebem que o governo não faz nada. Em resumo, acabou a fase dos discursos, é hora de ação.
Assim como em outros países que adotam este calendário, o mês em curso é março. Já se foram três meses após a posse no planalto central. O carnaval só deixou confetes e serpentinas que já não servem mais para decorar fantasias. Bem intencionado, o presidente Lula da Silva promete, cobra, quer agir e esbraveja. Fala mais para o seu povo do que para os seus assessores diretos. Erros nas seleções do primeiro e segundo escalões costumam dar nisso. Um de seus homens de confiança transformou a Fazenda nacional num quintal com terreno improdutivo, pois o adubo que se usa, o discurso, não nutre projetos essenciais que o Brasil carece.
Outros também discursam, fazem da retórica o conteúdo de seus argumentos. E nada anda, embora o custo de vida dispare, matando, como em outros tempos, projetos e pretensões dos brasileiros. O que se comprava com um salário mínimo no mês passado não se compra mais com o mesmo salário mínimo hoje. A abóbora, antes vendida a preço de banana, agora é produto de luxo. A banana se paga em quilo, muito bem cobrado. O tomate assusta e sai do cardápio. O imobilismo das autoridades responsáveis pela economia do País ocupa a mesa das famílias: com a fartura que vai se acabando. É hora de ação, Presidente. Senão a mudança será para pior.





