O quadro preocupante da dengue
A dengue em Londrina atinge proporção assustadora, conforme admite o próprio órgão responsável pela saúde no município, exigindo ações que extrapolem os limites técnicos e adquiram conotações políticas. É preciso ação, mais do que já é feito. E mesmo considerando que algumas falhas imperdoáveis ocorreram no decorrer dos últimos meses, cujos efeitos são os números de suspeitas e de casos confirmados que se apresentam, a necessidade é se pensar o daqui para frente.
Reportagem na edição deste domingo inclui entrevista com o secretário municipal de Saúde. Eis que, além dos números assustadores, a própria análise da situação pela autoridade responsável pede especial atenção para o problema. E a ação política deve ser uma ordem, uma vez que ela facilita as demais medidas emergenciais, sobretudo as técnicas.
Ao que se percebe, a comunidade londrinense já assumiu a sua cota de participação na cruzada que se desenrola contra a dengue. Este jornal tem mostrado, em seu caderno Folha Cidade, iniciativas de organizações comunitárias e de instituições filantrópicas. Há uma consciência de boa parte da população sobre a necessidade de atitudes preventivas. Mas ainda ocorre, entre as comunidades mais empobrecidas, falta de condições para evitar que o mosquito da dengue se prolifere. Assim, por culpa desta carência, o responsável pela transmissão da doença forma uma nuvem sombria sobre a cidade, o que precisa ser desfeito e definitivamente afastado dos céus de Londrina.
Polêmicas cercam o problema e a mais preocupante delas é a da possibilidade da cidade já estar vivendo uma epidemia de dengue. Quisera que fosse um equívoco. Mas não é hora de transformar as polêmicas em assunto do dia. Se ainda se enfrenta um surto, com a possibilidade da epidemia estar à porta, então que se somem forças para que a situação seja revertida. Se for o contrário, com o quadro já configurando epidemia, da mesma forma se exige a união das forças para que este mal seja combatido.
Repita-se, é hora de ação. Não só a autoridade municipal responsável pela saúde pública, mas também os governos estadual e federal devem atitudes para com a população londrinense. Pois esta, dentro de suas possibilidades, está fazendo a sua parte. E os que estão excluídos de qualquer iniciativa, inclusive com descuidos em seus próprios quintais, estes, pelas condições sociais, econômicas e culturais a que foram submetidos, merecem atenção para terem a orientação necessária.

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