Cumprimento da lei
A lei existe para ser cumprida e assim é feito. Nunca esta frase esteve tão próxima da realidade quanto agora, no momento em que grandes escândalos locais, estaduais e nacionais passam a merecer prioridade nas investigações e parte dos responsáveis ganha o rumo das celas mesmo que na condição preventiva.
Na manhã de ontem, Londrina assistiu a um epsódio dessa natureza. Não foi, com certeza, o desfecho de uma situação que vem de meses, com o Ministério Público investigando incansavelmente a possibilidade de ocorrer um cartel no setor de combustível. As evidências são denunciadoras, pois os preços praticados na cidade deixam o álcool e a gasolina um dos mais caros do país.
A prisão de dois empresários do setor a mando da Justiça, sob suspeita de crime contra a ordem econômica, respalda a luta do Ministério Público, eis que há cerca de dois anos a promotoria pública trava batalha para dar normalidade a este tipo de comércio. E não foram poucas as tentativas feitas de negociação. Porém, ao contrário de acordos consolidarem uma prática saudável de concorrência, o que o setor deu de respostas foi a radicalização, com ameaças e até ensaios de atos terroristas contra os que se puseram favoráveis a um comércio isento de interesses nocivos.
Um dos detidos é diretor do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do Paraná e outro foi responsável pela criação de uma entidade que, a princípio, teria o papel de aglutinar o segmento de combustíveis, a Associação dos Revendedores de Combustíveis de Londrina. Mais do que evidente que, a estas alturas, principalmente, a cartelização seja negada. Usa-se, como instrumento de justificativa, um termo brando: alinhamento de preços.
Oras, a gasolina de Londrina custa até R$ 2,39 o litro em alguns postos, girando a média em R$ 2,36. Localidades vizinhas conseguem vender o produto por cerca de R$ 2,20. Fora do Estado o litro da gasolina é comprada até por R$ 1,98 ainda, e o velho argumento do produto ''batizado'' não vale para todos que ofertam o combustível por preço promocional.
O que ocorre é a concorrência, levando alguns empresários do setor à promoções. É o mínimo que se pode esperar de um mercado que permite a instalação de postos concorrentes praticamente num mesmo quarteirão. Na Avenida Maringá, em Londrina, por exemplo, três estabelecimentos são quase vizinhos. E, nesta situação, o normal seria que, senão habitualmente, mas com um frequência até tolerável ao negócio e interessante para o consumidor, um ou outro concorrente pudesse ofertar combustível mais barato.
Entretanto, o argumento de alguns desses empresários vai contra o princípio da competitividade. Alegam estes que os preços são altos em Londrina pelo fato da cidade dispor de muita concorrência.

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