Os donos do mundo
Causa indignação a forma como os Estados Unidos (e seu aliado fiel, a Grã-Bretanha) insistem em impor sua ''lei'', contra a reação de praticamente todo o mundo, face ao Iraque. Saddam Hussein não é um santo, sem dúvida, mas é certo que há muitos governantes no mundo que não o são. Pretender impor seus comandos sobre outro país, como estão fazendo EUA e Grã-Bretanha, é assustador, até porque, sob tal ótica, ninguém está livre do eventual ataque do auto-proclamados ''donos do mundo''. Querem depor Saddam, hoje, podem pretender derrocar o governo da Coréia do Norte, amanhã, o do Irã no mês que vem e qualquer um que não siga sua cartilha.
Maior estupor causa, ainda, o modo como os Estados Unidos (e seu aliado) já antecipam o que vão fazer, depois da guerra. Anunciam a tomada de Bagdá em 72 horas, já falam na expulsão (quem sabe o fuzilamento) de Saddam Hussein e já preparam o plano para o novo ''governo'' iraquiano e o projeto de reconstrução. Dividem os despojos como se o Iraque fosse um quintal a ser limpo, sem qualquer outra preocupação. Esquecem que, historicamente, depois da Segunda Guerra Mundial (em que contaram com o apoio de boa parte do mundo, inclusive a União Soviética) os norte-americanos não ganharam mais nenhuma guerra. A situação da Coréia é bem indicativa e a fragorosa derrota no Vietnã não pode ser esquecida.
A esperança do mundo está na ONU, organismo que foi criado ainda durante a Segunda Guerra Mundial e que visava, desde o inicio, mudar o panorama das coisas, levando as disputas entre as nações para a diplomacia, sem bombas, sem mortes, sem destruição. Nos mais de 50 anos de vida, a ONU não conseguiu, ainda, atingir plenamente seu objetivo. Mas tem avançado e realiza, apesar de tantos percalços, um trabalho importante. E é dentro dela, com respeito entre os Estados membros (lembrando que o Iraque faz parte do organismo) que devem ser buscadas soluções para as crises.
O Iraque já foi punido pela ONU quando agiu ilegalmente, invadindo um estado soberano, o Kuwait. Sofre até agora os efeitos disto, com as sanções impostas pelo organismo internacional. Ir além disto, como querem os Estados Unidos, é transformar as próprias relações internacionais e tornar todos os países do mundo reféns do pretenso soberano do Universo, o governo de Washington.

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