Negociação ou intervenção
  Mais uma reunião na manhã de ontem em Londrina teve como ponto central a tentativa de aproximar os preços dos combustíveis praticados na cidade aos valores cobrados em outras localidades. Paga-se aqui no mínimo R$ 2,36 pelo litro da gasolina, mas encontra-se produto de igual bandeira até por menos de R$ 2,00, principalmente fora do Estado.
  Convocado pela Comissão de Defesa dos Consumidores e Segurança Pública da Câmara de Vereadores, o encontro, se não resultou totalmente frutífero em sua intenção inicial, pelo menos serviu para a definição de boas propostas visando solução para o problema, e sobretudo para o necessário puxão de orelhas do Ministério Público aos empresários do setor.
  Uma das propostas, apresentada por vereadores londrinenses, defende a criação de um conselho de consumidores, que poderia se constituir em excelente canal para o proprietário de veículo debater preço e qualidade dos combustíveis comercializados na cidade com o comércio varejista do setor. Os mesmos vereadores acenaram com a proposta também de levar a discussão do assunto à exaustão, através da convocação de audiências públicas.
  Já do Ministério Público, que há cerca de dois anos trabalha na busca de alternativas para sanear o comércio de combustíveis em Londrina, a medida mais prática e incisiva foi o pedido de intervenção encaminhado na terça-feira à Associação Nacional de Petróleo (ANP). E se ouviu também do promotor presente a posição de indignação, diante de tamanha afronta ao consumidor.
  Posicionamento emitido pelo setor de combustíveis, através de alguns de seus representantes, condiciona a prática de preços tão elevados em Londrina à existência de muitos postos instalados na cidade. Justificativa questionável, até pelo menos que argumentos consistentes a ancorem. Primeiro por ir contra a lei do mercado, em que a concorrência leva à melhoria da qualidade do produto ofertado, a um preço até promocional.
  Fora de Londrina, ao transitar por algumas rodovias importantes, o proprietário ou condutor de veículo encontrará tal condição a cada trecho de algumas dezenas de quilômetros. Encontra-se gasolina ainda por R$ 1,98 fora do Estado e de forma alguma o produto influi no rendimento do carro, o que indica ser de boa qualidade. É claro que, acostumado a pagar R$ 2,36 pelo litro, o viajante habituado a abastecer em Londrina é surpreendido e receia estar enchendo o tanque com combustível adulterado. Mas a própria variação dos preços durante o percurso, que mesmo nos casos de preços mais altos jamais se comparam aos de Londrina, evidenciam a concorrência.
  São válidas, portanto, as propostas dos vereadores. E louvável e necessária, caso a negociação seja dificultada, a iniciativa do Ministério Público. Se não há conversa, tem que haver intervenção.

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