OPINIÃO DA FOLHA
Medida contra as superaposentadorias
A proposta de fixar um teto salarial de R$ 12,7 mil para o servidor público, valor que corresponde ao salário base de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), carece, inicialmente, de ser analisada sob ângulos distintos. Um deles, o de que deve haver muitos desses trabalhadores mantidos atualmente com polpudas rendas nas três diferentes esferas da administração pública, pois caso contrário o teto proposto poderia ser inferior. Segundo, o da matemática simples, que apontaria ao trabalhador que vive do mínimo quantas vezes mais do que ele alguns servidores ganham por mês. E, terceiro, que o estabelecimento de um teto é urgente, mas a proposta que se apresenta ainda é muito tímida.
Não se pretende neste espaço abrir um confronto com os milhares de servidores públicos que trabalham com disposição e afinco nas prefeituras, nos governos estaduais e nos órgãos diretos e indiretos da administração federal. Pelo contrário, questiona-se aquela minoria que costuma usar da influência do poder para se colocar num emprego e em pouco tempo goza de folha de pagamento altíssima, enquanto funcionários de carreira ficam para trás. São provavelmente estes que fazem a máquina administrativa funcionar, enquanto os oportunistas trabalham a projeção política de seus protetores, pois foi para isso que foram contratados.
Assim, o teto de R$ 12,7 mil é muito para quem pouco ou nada faz. Pode ser pouco para os que têm uma carreira embasada no trabalho sério e digno, sejam eles trabalhadores públicos ou privados. Continua sendo astronômico em comparação ao salário mínimo, que sustenta grande quantidade de famílias brasileiras. Mas já é bem menor que os R$ 53.912,73 que um ex-combatente marítimo de Santos (SP) percebe mensalmente como pensionista, conforme reportagem publicada na edição de ontem por este jornal.
A proposta do teto encontrou eco no Palácio do Planalto e deve ter peso nas reformas administrativa e da Previdência. Neste último caso, possibilitaria o fim das superaposentadorias, eis que de acordo com levantamentos dos 21 milhões de benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), cerca de 25 mil supera o teto de R$ 1.561,56. Ainda assim, os R$ 7.000,00 pagos de aposentadoria aos juízes e os R$ 4.000,00 pagos aos militares ainda é insignificante diante dos mais de R$ 50 mil de um único ex-combatente.





