Mais empregos no interior
Números são provas incontestáveis de determinadas situações, desde que representem resultados de levantamentos sérios e consequentemente confiáveis. É o caso dos porcentuais divulgados ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), sobre o nível de emprego no Paraná em 2002. Reportagem na edição de hoje no caderno Folha Economia traz ao leitor as informações deste estudo, cuja conclusão mais importante é a boa participação dos municípios do interior na recuperação do nível de emprego no Estado: 5,60%, contra apenas 2,21% da Região Metropolitana de Curitiba, onde o governo anterior concentrou grandes indústrias beneficiadas por incentivos fiscais.
O mesmo estudo revela que, apesar do resultado ser promissor, muito ainda deve ser feito para reduzir o desemprego no Paraná. São 392.411 pessoas desempregadas, o que representa 7,67% da população economicamente ativa sem trabalho. Desse total, 138.086 pessoas são da Região Metropolitana de Curitiba, o que resulta em 9,43% de desempregados. Já a Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, reforça que o desemprego aumentou em 48% no Paraná no mesmo período, enquanto na Região Metropolitana de Curitiba o aumento foi de 91%.
Errou, portanto, o governo anterior em sua política de industrialização, cujo foco de atenção foi a capital do Estado e os municípios periféricos. Pois neles trabalhou a instalação de grandes indútrias, que só vieram ao Paraná por força de incentivos mirabolantes, inclusive de financiamentos sem custos de juros e demais encargos a serem pagos em prestações a perder de vista. Justificou geração de empregos, mas ao contrário gerou expectativas que não se cumpriram e criou bolsões de miséria próximos da capital, com consequências que resvalaram, inclusive, nas questões ambientais e de qualidade de vida da gente do Paraná.
É claro, as indústrias beneficiadas com as vantagens dadas pelo governo anterior trouxeram profissionais de ponta de unidades localizadas em outros estados, até porque não havia no Paraná pessoal qualificado para determinados setores. E se fosse este um plano de expansão industrial contemplativo não só para os interesses de poucos, mas para todos os paranaenses, faria parte dele a especialização do trabalhador do Estado, assim como integraria os contratos com as indústrias beneficiadas uma cláusula, determinado a ocupação de nossa gente.
Nada disso aconteceu. Restou, entretanto, a lição para o grupo que deixou o Paraná em situação precária, após oito anos de governo: o interior, mesmo sem incentivo, gerou empregos e produziu mais no campo. A conclusão é clara: o Paraná precisa de um governo que enxergue o Estado além dos limites da capital. Isto pode acontecer a partir de agora.

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