Terra promissora
A safra de grãos promete novos recordes, estimulada pelos bons preços pagos aos produtores, o que resulta, como não deveria deixar de ocorrer, na possibilidade de ampliação da área de plantio. O dólar, que arrocha os empreendedores de outros segmentos da atividade produtiva, eis que seu valor provoca aumentos na matéria-prima e no custo de manutenção do negócio, é para o campo um incentivo. E mesmo que se considerem na mais trivial das matemáticas financeiras que os insumos necessários à agropecuária também subiram, acompanhando a trajetória para cima da moeda americana, ainda assim as imensas áreas de lavouras e os espaços ocupados pelas criações rendem ao agricultor e ao pecuarista lucros gratificantes, quando estes usam dos avanços tecnológicos para evoluir.
Entende-se por evolução não somente a tecnificação promovida para produzir mais e mais. A qualidade do que se produz deve estar embutida neste processo, como se fosse estabelecida num manual. E qualidade, hoje em dia, não está apenas relacionada ao tamanho e ao aspecto do produto. Alguns requisitos básicos devem ser respeitados, pois laranja de tamanho grande mas seca por dentro deixa o consumidor eternamente desconfiado com o comerciante que lhe vendeu tal mercadoria. Terá direito, então, o comerciante de desconfiar de seu fornecedor, que poderá manifestar descontentamento com o intermediário ou com o homem do campo.
O que acontece, porém, com os hortifrutigranjeiros? O preço da abóbora está superior ao de alguma espécie de carne. O ovo, antes acessível, foge dos pratos das famílias menos abastadas. A alface também raramente entra nos últimos tempos nos carrinhos de compras. A culpa é da chuva, se o fenômeno ocorrer. Ou pode ser da estiagem, se a natureza mandar que a seca coloque à prova a fertilidade da terra. E serão sempre os fenômenos da natureza culpados: pela produção ruim e pela qualidade indesejável.
A tecnologia há de ter respostas para o bom produtor enfrentar as adversidades climáticas, mesmo aqueles que raramente se repetem. Chuva demais ou água de menos, porém, são ocorrências rotineiras. Assim como a entressafra, antes esperada com dor, agora é período de bom lucro para os que se valem de alternativas de plantio e de criações. Assim estes lucram, enquanto outros abanam as mãos vazias. Como no futebol, não se joga apenas tendo o vento a favor. Corre-se também contra ele.
Hora, portanto, de avançar, o que implica em produzir batendo nos contratempos, para forncer boas mercadorias a preços justos.

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