OPINIÃO DA FOLHA
Idoso, um tema amplo
Começa nesta Quarta-feira de Cinzas o período de Quaresma para os católicos e, especialmente no Brasil, a Campanha da Fraternidade 2003, cujo foco central este ano é o idoso. Tema, aliás, bastante oportuno, embora a própria conscientização das comunidades que congregam as pessoas da terceira idade tenham experimentado nos últimos anos avanços animadores. Parte-se, inicialmente, de formas de viabilizar ocupações para a população desta faixa, seja através de atividades sociais e culturais, seja pela inserção no mercado de trabalho e segmentos e funções compatíveis. Entre os exemplos expressivos, toma-se a iniciativa dos supermercados em Londrina, onde idosos ganham contratos de trabalho e repartem com os jovens a oportunidade de mostrar aos empresários de outros setores que estão aptos para a atividade remunerada.
O que se pretende, no entanto, é avançar para debates mais aprofundados. No Brasil, quando se fala no idoso, há que se estender o foco da discussão para todas as fases de vida do cidadão. Não se pode imaginar melhoria nas condições de vida para uma faixa específica da população, sabendo-se que a situação a que o idoso foi deixado atualmente é reflexo de todo o passado. Hoje, na terceira idade, o cidadão que já trabalhou e contribuiu de uma forma ou de outra para o desenvolvimento da sociedade corre o risco de ser tratado como estorvo, de acordo com uma cultura nacional disfarçada, que prima pelo paternalismo. E não há exemplo melhor que a aposentadoria para comprovar esta condição. Inclusive nos discursos das autoridades governamentais, quando debatem a Previdência Social, por sinal injusta para a maioria da população por não tratar todos os trabalhadores com isonomia.
Sendo assim, como consequência de uma condição de vida esta, aliás, imposta pelos governos devido a erros sucessivos nas políticas públicas o idoso é reflexo. Espelha a maternidade sofrida de milhares de mulheres que vão dar à luz; o nascimento em berço precário de milhares de crianças; a infância mal assistidas de outros milhares de pequenos cidadãos; a adolescência difícil e cercada de riscos de outros tantos. E assim por diante, passando pelo eterno medo do desemprego vivendo num país onde a economia estável por enquanto não passa de sonho, até a aposentadoria e o quase ''descarte''. Como se vê, muito tem que ser mudado, da concepção do ser humano até o seu descanso.





