História passada a limpo
O longo período de impunidade que dominou a história política do Paraná nos últimos anos está a pouco de chegar ao fim. Desde o início do ano, com a mudança de governo, as denúncias de casos de desvios ou mau uso do dinheiro público se sucedem, fazendo parecer que o Estado saiu de um tempo de fábulas, em que personagens de narrativas infantis como Ali Babá e seus ladrões por aqui andaram fazendo estória virar história de fatos que causam indignação.
Pelo que as denúncias apontam, um doleiro teve livre trânsito em níveis diferentes do poder público. Causou estragos enormes para toda uma população e premiou alguns poucos, estes que aproveitaram a enorme brecha dada pela falta de punição aos corruptos, de forma a transformar o Paraná dos últimos anos numa enorme bacia hidrográfica coberta até a borda por lama.
Decisão política não houve para estancar a sangria de dinheiro público através de contratos propositalmente malfeitos, benefícios concedidos por via do privilegiamento inconsequente e, vulgarmente falando, verdadeiras maracutaias. Companhias estatais como a Copel, hoje com a situação a ponto de ser consertada graças a uma reestruturação administrativa promovida pela atual gestão governamental, foram vorazmente usadas para fins condenáveis. A própria tentativa de privatização deve constar como exemplo infeliz. E de lá mesmo surge o pedido e a decretação de prisão para cerca de uma dezena de acusados de envolvimento em irregularidades, entre eles o ex-presidente da companhia, Ingo Hubert, que acumulou cargo de secretário de confiança do governo anterior.
A Sanepar teve um erro desfeito recentemente. Também por desfeita ao interesse público cometida no passado, o Estado, desprezou-se a si e apesar de ser majoritário da companhia cedeu o comando da estatal a um consórcio de empresas privadas, incluindo multinacional, que detém menos ações. E não se sabe ainda, eis que os canais competentes analisam a questões, o que levou a gestão governamental do passado a uma incoerência de tamanho tão questionável.
E como se disse acima, não houve decisão política para evitar tais acontecimentos simplesmente porque, provavelmente, a Justiça dirá, futuramente, que não havia vontade de manter a administração pública e o Estado sem a densidade de uma poluição como a que foi deixada. Mais que a formada pelo ácido das chaminés industriais, esta dilacera, porque levou dos cofres públicos recursos que poderiam ser investidos em infindável número de projetos de benefício direto à população. É hora do conserto, o que consomem o Ministério Público, a Polícia e o atual governo numa tarefa que poderia hoje ser evitada caso houvesse moralidade no passado.