História resgatada
Um projeto de baixo custo resgata ao londrinense parte importante, mas desprezada de sua história. Com apenas R$ 7.560,00 o arquiteto e urbanista Renato Mateus Gorne Viani concentrou em um CD informações sobre as 10 praças públicas mais antigas de Londrina, incluindo mapas e fotos. O projeto foi financiado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura e cópias do CD já estão sendo distribúidos às escolas das zonas rural e urbana, creches, bibliotecas e centros municipais de educação infantil, o que mostra a importância que o documento terá na formação do público atendido por estes estabelecimentos.
As praças, em Londrina, já foram locais marcantes na vida de gerações passadas. Basta mencionar que a Rocha Pombo, localizada entre a antiga estação rodoviária e a desativada estação ferroviária de Londrina, com seu chafariz e seus peixes ornamentais encheu os olhos de milhares de londrinenses, quando o local ainda era transitável, não somente pela inexistência de quiosques de artesãos mas principalmente porque a segurança permitia ao cidadão parar numa praça e deixar as crianças correrem pelos gramados e ao redor do tanque de peixes.
Ou como o autor do projeto afirma, praças formavam consciência. E a que mais contribuiu nesse sentido foi a Primeiro de Maio, quase no coração da cidade, onde está instalada a Concha Acústica. Quantas concentrações de trabalhadores ocorreram ali? Quais foram os eventos mais importantes realizados no local? Poucos poderão responder a esta pergunta, mas lembram-se os antigos que dentre as manifestações importantes que ocorreram na Concha Acústica constam as mobilizações organizadas pela comunidade universitária de Londrina, nas lutas de protesto contra o regime militar que se instalou no Brasil a partir de 1964.
Hoje, praças, infelizmente, causam receios. Algumas são tomadas pelo mato, outras costumam ser ocupadas por moradores de rua. Não que este espaço não lhes seja permitido. Pelo contrário, que não seja somente deles. A democratização do local poderia ser estabelecida com policiamento, o que permitiria aos pais liberarem as crianças para um lazer diferente, aos casais um namoro sem riscos, aos idosos um local seguro de descanso.
Mais do que isso, é fundamental que para os escolares as praças sejam entendida como parte da cidade. Não foi à toa que os administradores do passado reservaram terrenos dentro do espaço urbano para construí-las. E que após esse entendimento estes escolares façam parte de um grupo que cobre do poder público condições para que as praças sejam frequentadas.