O consumidor se posiciona
Mensagem pela internet aos proprietários de veículos fez um apelo para que por um dia estes deixassem de abastecer nos postos de combustíveis de Londrina, em boicote aos preços praticados na cidade por estes estabelecimentos.
Não se discute aqui a validade deste tipo de protesto. Apenas considera-se que, primeiro, trata-se de um tipo de manifestação ordeira e, portanto, válida. Não se apelou para arruaças e piquetes, o que garantiu aos cidadãos os preceitos constitucionais de abastecer ou não o seu carro, com ou sem boicote.
E segundo porque é da natureza do próprio consumidor a necessidade de pagar menos por determinado produto, se lhe aberta a possibilidade de usufruir da concorrência para dispor de mercadoria mais em conta. É ele, consumidor, que faz seu orçamento doméstico. E desde que o produto não seja suspeito, tendo procedência garantida, há casos de quem prefira correr alguns quilômetros só pelo prazer de encher o tanque do carro por um valor inferior ao pago em Londrina.
O mérito desta discussão é o desrepeito ao consumidor. Os casos de bombas de postos de combustíveis lacradas após compravada adulteração da gasolina, principalmente, se avolumam. Ou seja, o londrinense paga mais caro pelo produto e quando encontra oferta de inexpressivos centavos mais baratos, corre o risco de ter o veículo danificado por conta do produto adulterado.
O comércio varejista de combustíveis até teria uma justificativa para a questão do custo mais elevado do produto na cidade. Seria a grande quantidade de estabelecimentos instalados em Londrina o responsável, numa matemática difícil de ser compreendida e, portanto, carente de explicações objetivas e convincentes. Em outros segmentos da economia, a lei de mercado é claríssima: quanto maior a concorrência, mais possibilidade tem o consumidor de encontrar no mercado produto com preço inferior e de qualidade até superior.
E se esta regra valesse para o setor de combustíveis, não teria o londrinense de ser convocado para um boicote, como ocorreu ontem. Quanto à iniciativa dos consumidores de apelar para esta forma de manifestar revolta contra os donos de estabelecimentos de combustíveis, fica demonstrado que esta população, de forma ordeira e pacífica, decidiu abandonar o imobilismo que atinge a maioria da população brasileira. Mesmo que o boicote de ontem tenha alcançado resultados indesejáveis, o protesto é uma forma de alertar o mercado: o consumidor não pode ser tratado como uma simples extensão do negócio. Ele é a parte mais importante.

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