OPINIÃO DA FOLHA
Ações esperadas pelos paranaenses
O governo do Paraná caminha a passos ligeiros rumo à moralização da máquina administrativa estadual, com ações quase que diárias, desde a posse em 1º de janeiro, para reparar erros herdados da gestão anterior. Todas as medidas são destacáveis e recebem a aprovação do eleitor, mas pelo menos duas delas são consideradas mais importantes pela população, pois está no cotidiano das pessoas: a primeira está relacionada à energia elétrica e a segunda à água.
A Copel sofreu reformulações profundas, com a eliminação de inúmeros cargos de diretoria. Isso representa economia, que provavelmente pode resultar em custo mais baixo da energia futuramente. O próprio presidente da estatal, o ex-governador Paulo Pimentel, já no ato da posse manifestou-se sobre o preço da energia no Paraná, considerando-o elevado. Poucos dias depois, assinou a reforma da companhia, que antes funcionava praticamente loteada.
Esta semana, a caneta do governador Roberto Requião eliminou uma distorção na Sanepar. Em resumo, apesar do Estado ser majoritário desta companhia, quem dava as cartas era o grupo de empresas que forma o Consórcio Dominó, que detém apenas 39,7% das ações da Sanepar. Essa distorção era fruto de um contrato, no mínimo, questionável, que deu margens a um pacto desconhecido até então pela maioria da população. O ''pacto dos acionistas'', conforme era denominado, felizmente caiu por terra por força de um decreto, uma vez que a tentativa de um acerto amigável, por 43 dias, foi esgotada segundo informou o governador.
Os dois exemplos parecem estar mais próximos da população por tratarem de setores fundamentais. Mas essa avaliação não é correta. Todas as distorções cometidas no passado afetam direta ou indiretamente o paranaense, eis que os supostos equívocos foram cometidos com o uso de dinheiro público. É o caso da notícia que este jornal destaca na edição de hoje, sobre o pesado orçamento para a informatização do museu inaugurado pelo governo anterior no apagar das luzes da gestão. Admite-se que a informática no Brasil tem preço ainda elevado. Pondera-se também que uma estrutura como a deste museu, se ele funcionar a plena capacidade, exige um sistema sofisticado e, portanto, caro. Mas não astronômico.
Pois destes poucos exemplos de desmandos de um lado e consertos de outro a população já pode ter idéia de que os rumos do Estado agora são outros. Cabe, assim, o apoio ao governo que corrige distorções, para que mais erros que custaram aos cofres públicos sejam verificados e os culpados possam ser punidos.





