Mais um escândalo nacional
Fecha-se cada vez mais o cerco ao esquema de lavagem de dinheiro via agências de Foz do Iguaçu e de Nova York do extinto Banco do Estado do Paraná (Banestado). No último final de semana, a revista ''IstoÉ'' trouxe nova reportagem sobre o assunto, na qual o ex-caixa de campanha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e posteriormente do candidato José Serra apoiado pelo governo de FHC estaria entre os envolvidos na quadrilha. O denunciado, que aparece em laudo da Polícia Federal, teria enviado US$ 56 milhões para o exterior entre 1996 e 1997.
Não deveria haver suspeição sobre o governo de Fernando Henrique se a única coincidência entre este e o dinheiro que foi tirado ilegalmente do País fosse o fato de o denunciado ter trabalhado para a eleição do ex-presidente. Mas outros fatos levam à desconfiança.
Relatório com mais de mil páginas estaria iniciando explicações sobre os motivos que levaram a cúpula da Polícia Federal a engavetar o relatório feito por peritos nos seis últimos meses de governo FHC. Mais preocupante ainda é que o ex-caixa, segundo as investigações da PF, enviava o dinheiro ao Banestado de Nova York através da agência do banco em Foz do Iguaçu, para conta aberta em nome de uma empresa, conforme o leitor pode conferir em reportagem hoje nas páginas de Política.
Da agência de Nova York o dinheiro era transferido para o Chase Manhattan Bank, que hoje tem a denominação JP Morgan Chase, para uma conta com o nome ''Tucano''. Outras ''coincidências'' são mostradas, tornando mais próximas as possibilidade de ligação do esquema de lavagem de dinheiro com o governo anterior.
Infelizmente, esta é uma notícia ruim. Não que se descarte o possível envolvimento do poder com a criminalidade. Pelo contrário, infeliz porque traz à população brasileira a desconfiança dela mais uma vez ter sido enganada.
Foram oito anos de governo e, a princípio, com credibilidade suficiente, pelo menos durante a fase boa do Real, quando se prometia frango na mesa de cada família. E mesmo depois, quando o frango se tornou vilão por representar prejuízo ao produtor, esperava-se daquelas autoridades que as críticas e as contestações em relação ao período no poder se limitassem à incapacidade administrativa.
Que se tire a limpo esta situação. Agora, neste Brasil que assimila mudanças, a Polícia Federal e o Ministério Público dispõem de melhores condições para agir. E que sejam punidos os culpados.

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