O papel do cidadão

  A semana foi marcada mais uma vez por cenas de violência em vários cantos do País. Só em Londrina, a tranqüilidade da região central foi quebrada já na terça-feira, quando um homem desarmou um policial no Calçadão, efetuou disparos e depois correu em direção à agência central do Banco do Brasil, onde desarmou um segurança, fez novos disparos e foi dominado por policiais militares, com nove tiros pelo corpo. Hospitalizado, em seu depoimento disse que estava sendo perseguido por ‘‘macumbeiros’’, o que supõe debilidade mental.
  Se esta cena causou impacto, o pior veio em seguida. Uma gangue de menores matou um atendente de farmácia após assalto ao estabelecimento, localizado na Zona Sul de Londrina. Apreendidos, os menores chocaram o Ministério Público, devido à frieza que demonstraram em seus depoimentos. Ontem, este jornal publicou em seu caderno Folha Cidade outra notícia policial: um menor, de 15 anos, assumiu a autoria de disparos feitos contra um homem de 36 anos. No depoimento, disse achar que ‘‘estava na hora’’ da vítima morrer.
  Se de um lado a criminalidade avança e ultrapassa o limite do explicável, de outro evidencia uma situação de pânico da população que preocupa. Os três exemplos acima são chocantes. Porém, supõem a necesssidade de ação policial para resolvê-los, já que medidas preventivas para evitá-los inexistiram ou falharam.
  E o pânico, infelizmente, leva os cidadãos à reações extremas. Já dominado e postado numa maca, o homem que desarmou um policial, um segurança de banco e efetou vários disparos, depois sendo abatido por nove tiros, seguia para o hospital, imobilizado. Entre os gritos vindos do meio da multidão, formada por curiosos e por pessoas que testemunharam parte da cena, o pedido de linchamento.
  Já o assassinato do atendente de farmácia, por não ter contado com uma platéia de testemunhas e curiosos, causou indignações individuais, embora de conseqüência muito mais grave do que o caso anterior, eis que resultou na morte de um trabalhador. Defende-se que nenhum dos dois estarrecedores exemplos justificam pedidos de linchamento dos culpados por parte de populares. Em hipótese alguma se admite esse tipo de postura numa sociedade civilizada.
  O papel de julgar é da Justiça. Cumpre à população, mesmo aquela que foi vítima ou testemunha de crime, o seu papel de vigilantes dos políticos responsáveis pela segurança da sociedade. E quando a referência chama os políticos, estão incluídos desde os vereadores até o presidente da República, passando pelos prefeitos, deputados estaduais e federais, governadores e senadores. É preciso fazer uso do direito de cobrar providências.

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