Pela CPI da lavagem de dinheiro
Desde que uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) não seja apenas uma formalidade, as denúncias de lavagem de dinheiro envolvendo a agência do extinto Banco do Estado do Paraná (Banestado) em Nova York e as gerências da agência de Foz do Iguaçu, por onde supostamente o dinheiro saía do Brasil, exigem investigação no âmbito político, além do trabalho já executado pela Polícia e pelo Ministério Público.
O Banestado era uma instituição bancária do Estado e, mesmo que fosse privada, uma infração gravíssima foi ali cometida. Manifesto organizado pelo Sindicato dos Bancários denunciou, durante a semana, a possibilidade de evasão de cerca de US$ 30 bilhões do País entre 1992 e 1998. É muito dinheiro. São trinta bilhões de dólares, nada menos que isso.
Ontem este jornal publicou a intenção da bancada de sustentação do governo na Assembléia Legislativa de apoiar a instalação de uma CPI. A sociedade não tem dúvidas sobre a necessidade desse procedimento. Portanto, a intenção deve ser urgentemente transformada em ação, de forma que paralelamente aos demais trabalhos dos parlamentares, a investigação da lavagem de dinheiro passe a ser, o mais breve possível, uma das prioridades da Assembléia Legislativa.
E deve ser apurada a responsabilidade de quem permitiu tal crime. Esquema como o denunciado costuma contar com braços de apoio para esconder os seus articuladores. Estes, poderosos, delegam aos supostos chefes da quadrilha atribuições que no decorrer de uma investigação levam apenas aos subordinados de primeiro escalão e aos menores dos envolvidos, comos os chamados ''laranjas'', que em troca de muito pouco emprestam nomes, números de documentos, reputação e moral.
Tão importante quanto achar os culpados, porém, é o trabalho de recuperar o que o Brasil perdeu com a ação desta quadrilha. Espera-se, portanto, que os parlamentares paranaenses aprovem a instalação de uma CPI da lavagem de dinheiro, da mesma forma que se empenham no momento para que também sejam investigados os contratos do pedágio, da terceirização dos serviços do governo estadual e a realização dos Jogos da Natureza. E que tenham acesso aos dados necessários para levarem adiante as investigações, sobretudo as que são disponíveis no Banco Central, cabendo que esta instituição colabore com a Assembléia Legislativa. Assim também se estará colaborando com a população, esta que exige e merece uma relação de máxima transparência das coisas públicas.

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