O papel do cidadão

  Moradores de 11 bairros da Zona Sul de Londrina, região onde as iniciativas populares são mais evidentes, se mobilizam por melhoria na qualidade de vida, especificamente no aspecto do saneamento básico. A intenção é elaborar um mapa de risco dos ribeirões poluídos por esgoto e a proposta surgiu com a constatação do elevado número de casos de verminose diagnosticados pelo serviço público de saúde. É verdade que este tipo de ação caberia ao poder público, através de departamentos específicos. Mas a mobilização popular passa a ser louvável quando cumpre papel de mola propulsora, principalmente quanto à conscientização da comunidade sobre os seus problemas. Fora isso, também serve de exemplo para outros bairros, inclusive alguns localizados em regiões de moradores mais favorecidos, que nem por isso são modelos em organização da comunidade. E alerta sobretudo o poder público, que pelo bom senso somará força à ação dos moradores e cumprirá com o seu papel de promover boas condições de saneamento para a sua população.
  O momento, em Londrina, é de muita preocupação com a saúde pública. Os casos de dengue atormentam parte dos habitantes e colocam em campo as autoridades sanitárias. Arrastões são feitos em bairros mais afetados, com mostra reportagem publicada hoje no caderno Folha Cidade. Trata-se de uma ação oficial, o que não isenta as comunidades envolvidas a também participarem desta tarefa. A contrapartida vale para os dois lados: quando a iniciativa é da população, cabe o respaldo fique claro o papel que cada parte envolvida tem a desempenhar. Flagrante é o descuido que se comete inclusive na região central da cidade, em atos que parecem de pouca importância mas podem ter conseqüências graves. Vielas abertas para a passagem de pedestres são transformadas em depósito de galhos, móveis descartados e até lixo doméstico. Um ou outro morador costume se esquecer que faz parte de uma comunidade e, inclusive à luz do dia, economiza no pagamento de um frete para transportar os trastes até um local adequado e causa prejuízos aos vizinhos. Em beira de vales - e Londrina tem o privilégio de dispor de muitos deles na área central - esse tipo de depósito se transfomará em abrigo de ratos, insetos e até cobras.
  Essa seria, portanto, a contrapartida mais básica da população para a busca de uma cidade limpa e sem riscos de doenças: o cuidado com o seu quintal e as ruas que também pertencem aos seus vizinhos. E a ação da Zona Sul para mapear os córregos poluídos vai além deste exemplo básico. Louvável, porque se extrapola o papel do cidadão, acontece num momento crítico e necessário.

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