OPINIÃO DA FOLHA
Prioridade para o trabalho
Após o lançamento do programa Fome Zero, oficializado na semana passada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em meio a doses de polêmica e descontentamento o que é comum em se tratando de um grande projeto , a expectativa da população brasileira é o Primeiro Emprego, outro projeto anunciado ainda em período de campanha eleitoral pelo petista. Este, porém, deverá exigir maior tempo de maturação, pois é de complexidade proporcionalmente maior e pede mais recursos orçamentários no momento indisponíveis.
Mas, ainda este mês, o ministro do Trabalho, Jaques Wagner, deverá entregar ao presidente Lula o programa. Sabe-se que ele terá projetos pilotos para serem implantados em localidades distintas, antes de ser estendido para toda a Nação. Até por isso, Jaques Wagner, ministro há apenas 30 dias, pede paciência à população. Enquanto isso, seu ministério estará trabalhando nos preparativos do Fórum Nacional do Trabalho, cujo objetivo é debater temas importantes do mercado de trabalho, incluindo a redução de custos de contratação de trabalhadores pelas empresas e a proposta de criação de um ''simples trabalhista'', além de alterações na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
É possível, sim, a população conceder ao ministro do Trabalho o prazo solicitado para a viabilização do programa proposto. Até porque outras questões relacionadas ao trabalho são, no momento, tão importantes quanto o primeiro emprego. A própria reforma trabalhista configura-se como uma urgência, neste período em que a economia vai contra o trabalhador e o empregado.
Como já foi anunciado pelo ministro, a proposta da reforma trabalhista deverá ser enviada ao Congresso Nacional somente no final de ano. Há, portanto, tempo suficiente para bons debates sobre o assunto. O que ocorre, e isso merece atenção especial durante as discussões, é que atualmente as duas pontas das relações de trabalho têm queixas justas sobre o sistema vigente. O empregador é penalizado com os encargos, cujo ônus de forma alguma é benefício do empregado.
Infelizmente, o Estado é o beneficiado direto e, no momento, ele se configura como um intermediário, que não faz nada e leva o lucro dos que produzem e trabalham.





