OPINIÃO DA FOLHA
Nas mãos dos parlamentares
Nas mãos dos senadores e deputados federais e estaduais que tomam posse hoje está a possibilidade de sucesso ou fracasso do presidente da República e dos governadores de Estado e do Distrito Federal. Este regime político vigente delega aos parlamentares força que parte da população desconhece, embora devesse. São eles os representantes dos brasileiros, cada um representando sua base eleitoral.
A teoria ensina que a população deveria recorrer aos parlamentares que ela elegeu para a busca de soluções coletivas aos vários problemas que as comunidades enfrentam. Embora a prática mostre o contrário na maioria dos casos, resta ao eleitor, pelo menos, a chance de eleger outro político caso aquele que recebeu o seu voto na eleição anterior não cumpra o seu papel legislativo adequadamente.
Esta seria, entretanto, apenas uma tímida avaliação da importância do parlamentar brasileiro. Tem sido comum nas mudanças de gestões o público ser informado de articulações que ocorrem nos bastidores do governo e do Congresso Nacional, para as escolhas dos presidentes das assembléias legislativas, da Câmara dos Deputados e do Senado. Fala-se também em base governista, como se esse vocabulário fosse comum no cotidiano do cidadão. Na verdade o que se trama nesses bastidores é a formação de grupos de apoio aos governos, de forma que suas propostas, prometidas ao longo de campanhas políticas, e seus planos de governo possam ser executados.
Para governar, o presidente da República precisa dos deputados federais e dos senadores, os governadores dos deputados estaduais e os prefeitos dos vereadores. Projetos a serem executados necessitam da aprovação dos parlamentares. É o processo democrático, embora por representação, consentindo ao governo desenvolver determinada ação. E serão as mais variadas linhas de pensamento envolvidas no processo, do eleitor que votou com rigor na escolha de seu candidato ao que simplesmente participou da eleição, desprezando o seu papel na democracia.
E eis a raiz do problema. Fossem todos os votos conscientes nas urnas, a preocupação do presidente, dos governadores e dos prefeitos, na formação de suas bases de apoio, poderia ser menor. Mas empenham-se eles, que da mesma forma foram eleitos pela população, pois projetos importantes do executivo podem ser barrados na Câmara dos Deputados e no Senado, nas assembléias e nas câmaras municipais, caso grupos alheios aos interesses nacionais, estaduais e municipais resolvam trabalhar contra o povo.





