OPINIÃO DA FOLHA
Papel de toda a sociedade
Duas fortes ações definidas ontem pela 17ª Regional de Saúde, com sede em Londrina, devem facilitar o controle da dengue na cidade e municípios próximos. O quadro que se apresenta é de temor, com o número de casos confirmados da doença praticamente duplicando de um dia para o outro, conforme poderá ser conferido no Caderno Folha Cidade, que traz reportagem hoje sobre o assunto.
A descentralização dos exames é uma das ações. Com isso, as suspeitas de dengue poderão ser confirmadas ou descartadas em Londrina mesmo, no laboratório do Hospital Universitário da Universidade Estadual de Londrina, o que representa ganho de tempo. Outra ação diz respeito à melhor mobilização dos técnicos da regional no trabalho de combate, pois a doença, pelos números registrados, leva ao receio de um descontrole.
Mas não está só na dependência da saúde pública a solução deste problema. É papel de toda a sociedade, principalmente das populações das comunidades mais atingidas pela dengue, o trabalho de evitar a proliferação do mosquito transmissor. Em outras palavras, o que se exige do cidadão é a consciência sobre a gravidade da situação, já que atitudes preventivas antes de tal ocorrência se tornaram vãs e, como se diz popularmente, o leite já foi derramado.
Medidas simples e corriqueiras poderiam ter valido à pena. E a mais básica delas é a de eliminar a água parada em vasos, latas, pneus ou onde uma poça, por menor que seja, possa ser formada. Uma sacola plástica para transportar compras de mercado, por exemplo, se jogada num quintal, em determinado momento vai pela própria natureza se transformar em depósito de água parada, que vai resultar em mais mosquito transmissor, mais casos suspeitos e, infelizmente, mais resultados confirmados.
Com descuido, de nada adiantará a pulverização feita pela saúde pública. O Estado tem seu papel, mas com ações que encontram, muitas vezes, limites em locais insuspeitos. A garrafa acondicionada com a boca para baixo no dia em que agentes sanitários visitaram o quintal pode ter sido virada com a boca para cima minutos depois. E nem sempre isso foi feito como um desacato. Assim, o fato de manter este vasilhame em casa, principalmente estando ele desocupado, já representa risco. O custo de descartá-lo é incomparavelmente menor do que o preço de uma enfermidade.





