Investigação necessária
Mais uma promessa de campanha começa a ser cumprida pelo governo do Paraná. As principais obras inacabadas deixadas pela gestão anterior deverão passar por uma rigorosa investigação, conforme anunciou ontem o governador Roberto Requião, cuja reportagem a Folha publica nesta terça-feira, nas páginas de Política. Para isso, o atual governo promete criar uma espécie de força-tarefa constituída por representantes de entidades civis. Sindicato dos Engenheiros do Paraná, Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia e profissionais da Universidade Federal do Paraná e da Pontifícia Universidade Católica deverão compor esta comissão. A proposta é verificar a legalidade dos contratos das referidas obras, bem como os valores gastos e ainda a pagar.
Algumas das obras que serão objetos da investigação por si apenas já levantam indagações por parte dos paranaenses. Como os cinemas sem projetores, espalhados por determinados municípios paranaenses, cujas inaugurações parecem ter ocorrido ao atropelo de final de mandato. Londrina, por exemplo, teve o seu cine-teatro reinaugurado durante um espetáculo de pouco brilho, às vésperas do governo anterior transmitir o cargo ao sucessor. Sem projetor, poucas dezenas de pessoas, sendo a maioria autoridades convidadas para o evento, testemunharam a entrega de algo que, pelo valor que representa para a cidade, tornou-se pelo menos temporariamente de finalidade muito restrita. Claro que shows de diferentes espécies e espetáculos de dança e de teatro podem ser realizados no palco do cine-teatro. Mas a história tem este recinto também como tela de grandes produções nacionais e estrangeiras. E assistir a estes filmes foi um privilégio do londrinense, graças aos projetos desenvolvidos por setor específico da Universidade Estadual de Londrina.
Outras obras já mencionadas pelo governo são o do Canal da Música, do NovoMuseu e o do Parque da Ciência. A primeira, por exemplo, já apresenta problemas de infiltrações e rachaduras. Foi um projeto de reforma com custo já investido de R$ 1,9 milhão, cabendo ao atual governo arcar com mais R$ 1 milhão para concluir a obra. O NovoMuseu, inaugurado também às vésperas da transmissão de cargo com pompa e requinte, custa ao paranaense US$ 14 milhões. São 14 milhões de dólares, e não de reais. E a conclusão ainda não ocorreu, faltando alguns acabamentos. O mesmo ocorre com o Parque Castelo Branco, onde seria instalado o Parque da Ciência, a um custo de R$ 19 milhões. Além destas, que são as principais e que durante a construção motivaram mais polêmica, muitas outras obras foram apenas iniciadas pelo governo anterior. Os números do Tribunal de Contas do Estado permitem avaliar a gravidade da situação: são 1.055 obras inacabadas herdadas pela atual gestão.

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